HERCEPTIN - Advertências e precauções

A terapia com Herceptin® deve ser iniciada somente sob a supervisão de um médico experiente no tratamento de pacientes com câncer.
Reações relacionadas à infusão
Sabe-se que reações relacionadas à infusão ocorrem com Herceptin®. Pré-medicação pode ser utilizada para reduzir o risco de ocorrência de reações relacionadas à infusão.
Reações graves relacionadas à infusão de Herceptin®, incluem dispneia, hipotensão, sibilância, broncoespasmo, taquicardia, redução na saturação de oxigênio e dificuldade respiratória, foram relatadas (vide item "Reações adversas"). O paciente deve ser monitorado com relação às reações relacionadas à infusão. A interrupção da infusão intravenosa pode ajudar no controle desses sintomas e a mesma poderá ser reinstituída assim que os sintomas forem controlados. Esses sintomas podem ser tratados com analgésico/antipirético, tais como a meperidina ou paracetamol, ou ainda com anti-histamínico, como a difenidramina. Reações graves têm sido tratadas, com sucesso, com terapias de suporte, tais como oxigenoterapia, beta-agonista e corticoides. Em casos raros, essas reações podem apresentar evolução fatal. Pacientes que apresentam dispneia de repouso decorrente de complicações de doença maligna avançada ou comorbidade podem ter risco aumentado para reação infusional fatal. Portanto, esses pacientes devem ser tratados com extrema cautela, e o risco versus benefício deve ser considerado individualmente.
Eventos adversos pulmonares graves com o uso de Herceptin® foram relatados após sua comercialização. Esses eventos ocasionalmente resultaram em óbito e podem ocorrer como parte da reação relacionada à infusão ou serem de início tardio. Além disso, foram relatados casos de doença pulmonar intersticial, incluindo infiltrado pulmonar, síndrome do desconforto respiratório agudo, pneumonia, pneumonite, derrame pleural, dificuldade respiratória, edema pulmonar agudo e insuficiência respiratória.
Fatores de risco associados com a doença pulmonar intersticial incluem tratamento prévio ou concomitante com outras terapias antineoplásicas conhecidas por serem associadas a essa condição, como taxanos, gencitabina, vinorelbina e radioterapia. Pacientes com dispneia de repouso decorrente de complicações de doença maligna avançada ou comorbidade podem ter risco aumentado para reações pulmonares. Dessa forma, esses pacientes não devem ser tratados com Herceptin®.
Disfunção cardíaca
Considerações gerais
Pacientes tratados com Herceptin® podem apresentar um maior risco de desenvolver insuficiência cardíaca congestiva (ICC) (New York Heart Association [NYHA] classe II-IV) ou uma disfunção cardíaca assintomática. Esses eventos foram observados em pacientes que receberam Herceptin® em monoterapia ou em combinação com taxano após regimes quimioterápicos com antraciclina (doxorrubicina ou epirrubicina). A insuficiência cardíaca pode ser de moderada a grave, e já houve casos de óbito (vide item "Reações adversas"). Além disso, deve-se ter cautela com pacientes em tratamento que apresentam risco cardíaco aumentado (por exemplo, hipertensão, doença arterial coronariana documentada, insuficiência cardíaca congestiva, disfunção diastólica, idade mais avançada).
Considerando que a meia-vida de trastuzumabe é de aproximadamente 28 a 38 dias, o trastuzumabe pode persistir na circulação por até 27 semanas após a interrupção do tratamento com Herceptin®. Pacientes que utilizam antraciclina após a interrupção do tratamento com Herceptin®, também podem apresentar um maior risco de disfunção cardíaca.
Se possível, o médico deve evitar o tratamento com antraciclina por até 27 semanas após a interrupção do tratamento com Herceptin®. Se as antraciclinas forem utilizadas, a função cardíaca do paciente deve ser monitorada cuidadosamente.
Candidatos para o tratamento com Herceptin®, especialmente aqueles com exposição anterior à antraciclina, devem ser submetidos a uma avaliação cardíaca de base, incluindo histórico e exames físicos, a eletrocardiograma/ecocardiograma, e/ou cintilografia ventricular (MUGA). O monitoramento pode ajudar a identificar os pacientes que podem desenvolver uma disfunção cardíaca, incluindo sinais e sintomas de ICC. Avaliações cardíacas, como as realizadas inicialmente, devem ser repetidas a cada 3 meses durante o tratamento, e a cada 6 meses após a descontinuação do tratamento até 24 meses a partir da última administração de Herceptin®.
Se a fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) cair dez pontos em relação ao exame basal e abaixo de 50% Herceptin® deve ser suspenso, e uma nova avaliação de FEVE deve ser realizada dentro de aproximadamente três semanas. Se a FEVE não melhorar ou diminuir ainda mais, a descontinuação de Herceptin® deve ser fortemente considerada, a não ser que os benefícios para o paciente sejam considerados superiores aos riscos. Os pacientes que desenvolvem disfunção cardíaca assintomática devem ser submetidos a monitoramento mais frequentemente (por exemplo, a cada seis a oito semanas). Se os pacientes continuarem com diminuição da função ventricular esquerda, mas permanecerem assintomáticos, o médico deve considerar a interrupção da terapia, caso não seja observado benefício clínico com Herceptin®.
A segurança da manutenção e a reintrodução de Herceptin® em pacientes que apresentam disfunção cardíaca não foram estudadas prospectivamente. Se insuficiência cardíaca sintomática for desenvolvida durante o tratamento com Herceptin®, deve ser tratada de acordo com a terapia padrão para tal. A descontinuação do tratamento com Herceptin® deve ser fortemente considerada em pacientes que desenvolvem insuficiência cardíaca clinicamente significativa, ao menos que os benefícios para o paciente superarem os riscos. Nos estudos clínicos pivotais, a maioria dos pacientes que desenvolveu insuficiência cardíaca ou disfunção cardíaca assintomática melhorou com a terapia padrão para insuficiência cardíaca, a qual consiste em um inibidor da enzima conversora de angiotensina (ECA) ou um bloqueador do receptor de angiotensina (BRA) e um beta-bloqueador. A maioria dos pacientes com sintomas cardíacos e com evidências de benefícios clínicos com o tratamento com Herceptin®, continuou o tratamento com Herceptin® sem apresentar nenhum evento clínico cardíaco adicional.
Câncer de mama metastático
Herceptin® e antraciclinas não devem ser administrados concomitantemente para o tratamento do câncer de mama metastático.
Câncer de mama inicial
Para pacientes com câncer de mama inicial, avaliações cardíacas, como as realizadas inicialmente, devem ser repetidas a cada 3 meses durante o tratamento, e a cada 6 meses após a descontinuação do tratamento até 24 meses a partir da última administração de Herceptin®. Para pacientes que utilizam quimioterapia com antraciclina, recomenda-se um monitoramento adicional que deve ser feito anualmente por até 5 anos a partir da última administração de Herceptin® ou mais, caso for observado uma diminuição contínua da FEVE.
Pacientes com histórico de infarto do miocárdio, angina pectoris com necessidade de medicação, histórico ou presença de insuficiência cardíaca congestiva (NYHA II a IV), outra cardiomiopatia, arritmia cardíaca que requeira medicação, valvulopatia clinicamente significativa, hipertensão mal controlada (hipertensão controlada com medicamentos elegíveis como padrão) e efusão pericárdica hemodinamicamente efetiva, foram excluídos dos estudos clínicos para câncer de mama em adjuvância com Herceptin®.
Tratamento adjuvante
Herceptin® e antraciclinas não devem ser administradas concomitantemente para o tratamento adjuvante.
Foi observado em pacientes com câncer de mama inicial um aumento na incidência de eventos cardíacos sintomáticos e assintomáticos quando Herceptin® foi administrado após quimioterapia com antraciclina quando comparados com aqueles que receberam tratamento sem antraciclina a base de docetaxel e carboplatina. A incidência foi mais notável quando Herceptin® foi administrado concomitantemente com taxanos do que quando administrados sequencialmente a eles. Independente do regime de tratamento utilizado, a maioria dos eventos cardíacos sintomáticos ocorreu dentro dos primeiros 18 meses.
Fatores de risco para eventos cardíacos identificados em quatro estudos em adjuvância, incluem idade avançada ( > 50 anos), baixo nível basal e diminuição da FEVE ( < 55%), FEVE baixa antes ou após o início do tratamento com paclitaxel, tratamento com Herceptin®, e uso prévio ou concomitante com medicamentos anti-hipertensivos. O risco de disfunção cardíaca em pacientes que receberam Herceptin® após a conclusão da quimioterapia adjuvante, foi associado com uma alta dose cumulativa de antraciclina administrada antes de iniciar o tratamento com Herceptin® e com o alto índice de massa corpórea.
Álcool benzílico
O álcool benzílico, usado como conservante na água bacteriostática para injeção, foi associado com toxicidade em neonatos e crianças com idade inferior a 3 anos. Ao administrar Herceptin® para um paciente com sensibilidade conhecida ao álcool benzílico, Herceptin® deve ser reconstituído com água para injeção, e somente uma dose por frasco de Herceptin® deve ser usada. Eventuais sobras devem ser desprezadas.
- Gestação e lactação
Categoria de risco na gravidez: B. Este medicamento não deve ser utilizado por mulheres grávidas sem orientação médica ou do cirurgião-dentista.
Informe ao seu médico a ocorrência de gravidez na vigência do tratamento ou após o seu término.
Herceptin®
deve ser evitado durante a gravidez, a menos que os potenciais benefícios para a mãe superem os riscos potenciais para o feto. No período de pós-comercialização, foram relatados casos de problemas de crescimento renal e/ou insuficiência renal em fetos associados à oligoâmnio em mulheres grávidas que receberam Herceptin®, alguns associados com hipoplasia pulmonar fatal do feto. As mulheres em idade fértil devem ser instruídas a usar métodos contraceptivos efetivos durante o tratamento com Herceptin® e, pelo menos seis meses após o término do tratamento. As mulheres que engravidarem devem ser informadas sobre a possibilidade de dano ao feto. Se uma mulher grávida for tratada com Herceptin®, é aconselhável monitoramento cuidadoso por uma equipe multidisciplinar. Não se sabe se Herceptin® pode causar outros danos ao feto quando administrado a uma gestante ou se pode afetar a capacidade de reprodução. Os estudos de reprodução em animais não revelaram evidências de comprometimento na fertilidade ou riscos não aqui relatados para o feto (vide item "Teratogenicidade").
Lactação
Informe ao seu médico se estiver amamentando.
Um estudo realizado em macacas cinomolgus lactantes, com doses 25 vezes a dose semanal humana de manutenção de Herceptin®, de 2 mg/kg, demonstrou que trastuzumabe é secretado no leite.
A presença de trastuzumabe no soro de macacos recém-nascidos não foi associada com qualquer efeito adverso no seu crescimento ou desenvolvimento desde seu nascimento até 1 mês de idade.
Não se sabe se o trastuzumabe é excretado no leite humano. Como a imunoglobulina G (IgG) humana é secretada no leite humano e o potencial de danos para os lactentes é desconhecido, a lactação deve ser evitada durante a terapia com Herceptin®.
- Uso em idosos, crianças e outros grupos de risco
Pacientes idosos
Não foram realizados estudos específicos de farmacocinética em populações de idosos. Os dados existentes sugerem que a disponibilidade de Herceptin® não se altera com a idade (vide item "Farmacocinética em populações especiais"). Nos estudos clínicos, pacientes idosos não receberam doses reduzidas de Herceptin®.
Crianças
A segurança e a eficácia de Herceptin® em pacientes menores de 18 anos não foram estabelecidas.
Pacientes com insuficiência renal ou hepática
Não foram realizados estudos específicos em populações de pacientes com insuficiência hepática ou renal.
- Efeitos sobre a capacidade de dirigir veículos ou operar máquinas
Não foram realizados estudos sobre a capacidade de dirigir veículos ou operar máquinas.
Pacientes que apresentam sintomas relacionados com a infusão devem ser orientados a não dirigir veículos ou operar máquinas até que os sintomas sejam resolvidos por completo.
- Teratogenicidade
Os estudos de reprodução foram realizados em macacas cinomolgus com doses de até 25 vezes a dose semanal humana de manutenção de Herceptin®, 2 mg/kg, e não revelaram evidência de diminuição da fertilidade ou danos ao feto. No entanto, em relação à avaliação do risco de toxicidade reprodutiva em humanos é importante considerar o significado do receptor HER2 dos roedores no desenvolvimento embrionário e na morte de embriões de ratos mutantes que não têm esse receptor. Foi observada transferência placentária de trastuzumabe durante o período de desenvolvimento fetal precoce (dias 20-50 de gestação) e tardio (dias 120-150 de gestação).
Até o momento não há informações de que Herceptin® (trastuzumabe) possa causar doping.