AMPRENAVIR - Propriedades

O amprenavir é um inibidor competitivo não-peptídico da protease do HIV, e desta maneira impede que a protease viral atue sobre as poliproteínas precursoras virais necessárias para a formação de novos vírions. O amprenavir é um inibidor seletivo e potente das proteases do HIV dos tipos 1 e 2, e sua ação antiviral sofre interferência sinérgica quando administrado juntamente com antivirais que atuam sobre a transcriptase reversa viral como a zidovudina, o abacavir, didanosina e com outros inibidores da protease como o saquinavir. Por outro lado, seu efeito farmacológico é aditivo em combinação com indinavir, ritonavir e nelfinavir. A eficácia do amprenavir foi demonstrada ao longo de todo o espectro de infecções pelo HIV, incluindo as etapas precoce e tardia da enfermidade em pacientes com e sem prévio tratamento antirretroviral. Durante o tratamento com amprenavir foram selecionadas cepas de HIV resistentes a este fármaco in vitro; são necessárias pelo menos três mutações nas posições dos aminoácidos 46, 47 e 50 da protease do HIV para dar origem a uma cepa com um aumento de mais de 10 vezes na concentração inibitória 50 (IC50). Até o momento não se isolou, seja de pacientes tratados, seja como variante natural, uma cepa com a mutação crítica 150V, a qual está associada com a resistência ao amprenavir. Por outro lado, observou-se grau muito discreto de resistência cruzada entre as variantes selecionadas resistentes ao amprenavir e a outros inibidores de protease (IP), sugerindo assim um caminho em potencial para o tratamento de resgate com este tipo de medicamentos. O perfil de resistência observado com o amprenavir é diferente daquele observado com outros inibidores de protease, pois as cepas resistentes in vitro são muito suscetíveis ao indinavir, ao sequinavir e ao nelfinavir, mas mostram uma redução da sensibilidade ao ritonavir. Não se observa resistência cruzada entre o amprenavir e os inibidores da transcriptase reversa, pois os mecanismos de ação são distintos. O amprenavir apresenta absorção rápida e completa no trato gastrintestinal. As concentrações plásmaticas máximas são alcançadas de 30 minutos a 2 horas após a administração, conforme a formulação utilizada. Cerca de 10 a 12 horas após a administração, observa-se um segundo pico de concentração plasmática, o qual poderia ser resultado de absorção retardada ou de recirculação êntero-hepática. O amprenavir une-se com grande afinidade a proteínas plasmáticas, principalmente a a- 1 - glicoproteína ácida (AGA) e a albumina, sendo metabolizados principalmente no fígado; menos do que 3% do fármaco absorvido é eliminado de forma inalterada pela urina. A via metabólica principal é através da enzima CYP3A4 do citocromo P-450. Os metabólitos e o amprenavir inalterado (aproximadamente 14% da dose administrada) são eliminados pela urina e o restante através das fezes. Não se observaram alterações na farmacocinética do amprenavir em crianças, nem em pacientes portadores de insuficiência renal. Por outro lado, os pacientes com alterações hepáticas de grau moderado a grave apresentam um aumento signinificativo das concentrações plasmáticas de amprenavir, sendo necessário um reajuste da dose administrada.