COLESTIRAMINA Informações da substância

Ações terapêuticas

Anti-hiperlipêmico. Antiprurítico. Antídoto (resina de troca iônica). Antidiarreico (ácidos biliares pós-operatórios). Anti-hiperoxalúrico.

Propriedades

A colestiramina é uma resina de troca iônica, não-absorvida; após sua ingestão por via oral, é capaz de ligar-se a moléculas com carga negativa no intestino inibindo suas absorções. A ação anti-hiperlipêmica deve-se à inibição da reabsorção dos ácidos biliares, com consequente redução de seus níveis séricos, redução esta que se mantém mesmo quando a síntese endógena de colesterol está aumentada. A eliminação fecal de esteróis neutros não é afetada e/ou ligeiramente aumenta. A ação antiprurítica é explicada pela eliminação do excesso de ácidos biliares que se depositam na derme nos processos colestásicos. A ação como antídoto baseia-se na absorção de fármacos ou toxinas com carga negativa, que resulta na diminuição de seus efeitos ou de suas meias-vidas. A ação antidiarreica se deve à eliminação dos ácidos biliares presentes no cólon.

Indicações

Hiperlipidemia do tipo IIa (primária) e pacientes com risco potencial de doença arterial coronária, que não respondem à dieta ou outras medidas (exercício etc.); início da ação: 24 a 48 horas. Prurido associado à obstrução biliar parcial; início da ação: 1 a 3 semanas. Toxicidade por glicosídeos digitálicos. Diarreia devido a ácidos biliares (ação em 24 horas).

Posologia

Anti-hiperlipêmico: 12 a 32 g/dia, subdivididos em 3 ou 4 doses. Antipruríticos: 12 a 16 g/dia. Crianças de 6 a 12 anos: 80 mg/kg.

Reações adversas

É mais provável que apareçam os efeitos adversos com doses elevadas e em pacientes com idade superior a 60 anos. Obstipação: 20% a 50% dos casos (costuma ser leve e transitória, mas pode ser grave e resultar em incontinência fecal). Hemorragia digestiva, úlcera péptica. Perda de peso repentina (esteatorreia, síndrome de má-absorção). Epigastralgia grave, náuseas, vômitos (cálculos biliares, pancreatite). Pirose gástrica, aerofagia, distensão abdominal, diarreia.

Precauções

Suspender em líquidos antes de ingeri-la. Não ingerir outros medicamentos antes de consultar o médico. Recomenda-se suspender o tratamento caso ocorra uma elevação paradoxal do colesterol plasmático. Se a resposta terapêutica não for alcançada no espaço de 1 a 3 meses, recomenda-se suspender o tratamento, exceto em casos de xantoma tuberoso, no qual a avaliação será feita após 1 ano. Depois do alívio do prurido na colestase a dose deve ser reduzida.

Interações

Anticoagulantes cumarínicos e derivados da indanodiona: realizar ajustes da dose com determinações frequentes do tempo de protrombina. Ácido quenodesoxicólico. Glicosídeos digitálicos. Tiazidas. Benzilpenicilina, tetraciclinas orais, vancomicina oral, hormônios tireoideanos, vitaminas lipossolúveis. Outros medicamentos aniônicos. Interfere nos valores da GOT, AST, fosfatase alcalina, cloreto, fosfato, cálcio, potássio, sódio.

Contraindicações

O risco-benefício deve ser avaliado em situações clínicas como: obstrução biliar completa ou atresia completa (como anti-hiperlipêmico e antiprurítico, pode ser utilizado como antídoto). Obstipação. Doença arterial coronariana e hemorroida (devido aos riscos de obstipação grave). Cálculos biliares. Úlcera péptica (agravamento). Disfunção renal (risco elevado de desenvolver acidose hiperclorêmica).

Remédio que contêm Colestiramina