DESIRUDINA Informações da substância

Propriedades

Trata-se de um anticoagulante e inibidor seletivo da trombina livre circulante e da trombina unida ao coágulo. As propriedades anticoagulantes da desirudina demonstram-se através de sua capacidade de prolongar o tempo de coagulação plasmática, seja por indução direta (tempo de trombina), como por via intrínseca (TTPa) ou extrínseca (TP). Não possui propriedades profibrinolíticas e, em concentrações terapêuticas, não possui nenhum efeito sobre outras enzimas do sistema hemostático como os fatores IXa, Xa calicreína, plasmina, plasmina tPA ou a proteína C ativada. Além disto, também não atua sobre outras serinoproteases (tripsina ou quimotripsina) nem sobre a ativação do complemento quer pela via clássica ou pela via alternativa. A eliminação urinária total da desirudina em sua forma inalterada é de 40% a 50% da dose administrada. A eliminação hepática do complexo trombina-desirudina não é muito importante.

Indicações

Prevenção de trombose venosa profunda em pacientes submetidos a cirurgia seletiva de próteses de quadril e joelho.

Posologia

Adultos e pacientes com idade avançada: via subcutânea, 15 mg 2 vezes ao dia. A primeira injeção deverá ser feita 5 a 15 minutos antes da intervenção cirúrgica; caso seja empregada anestesia local, depois da administração desta. Após a intervenção, a desirudina deverá ser administrada 2 vezes ao dia durante um período de 9 dias ou até que o paciente possa deambular totalmente. Recomenda-se realizar a administração na região abdominal, alterando os pontos de aplicação. Pacientes com alteração moderada da função renal (clearence de creatinina entre 31 ml/min e 60 ml/min) e hepática, recomenda-se controlar o tempo de tromboplastina parcial ativada (TTPa).

Superdosagem

Não existe antídoto para a desirudina. A superdose pode acarretar distúrbios hemorrágicos e, caso necessário, podem transfundir-se expansores de plasma e/ou sangue.

Reações adversas

As principais reações adversas compreendem hemorragia, náuseas, febre, hematomas, tromboflebite profunda, hipopotassemia, insônia, vômitos, hiperpirexia, constipação, edemas, tontura, hematúria, dispneia. Com menos frequência, observam-se epistaxe, dores abdominais e torácicas, hematêmese, aumento das transaminases séricas, rash cutâneo e urticária.

Precauções

Recomenda-se não administrar por via intramuscular devido ao risco de hematoma local. Administrar com precaução nos casos de alto risco de hemorragia, como cirurgia maior, histórico de acidente vascular cerebral hemorrágico ou isquêmico, hemorragia intracraneal ou intraocular, incluindo retinopatia diabética (hemorrágica), distúrbios hemostáticos conhecidos (congênitos ou adquiridos, como deficiências de antitrombina III, proteína C ou proteína S, doença hepática) ou histórico de hemorragia digestiva ou pulmonar nos últimos três meses. Recomenda-se controlar o TTPa e pacientes com risco elevado de complicações hemorrágicas, insuficiência hepática e/ou alteração renal moderada, e ainda caso haja tratamento combinado com anticoagulantes orais. Nestes pacientes, o TTPa máximo não deveria exceder 85 segundos, ou duas vezes o limite superior do intervalo de TTPa normal. Caso necessário, o tratamento com desirudina deveria ser interrompido até que o TTPa decaísse até alcançar valores dentro da faixa terapêutica, podendo-se então reiniciar o tratamento com desirudina em doses baixas. A desirudina deve ser administrada com precaução em pacientes que estejam sob tratamento com anticoagulantes e/ou antiagregantes plaquetários ou fármacos anti-inflamatórios não-esteroidais. Recomenda-se realizar controles para detectar qualquer evidência de hemorragia. O efeito anticoagulante da desirudina pode ser pouco reversível; não obstante, os níveis de TTPa podem ser reduzidos através de administração intravenosa de desmopressina. Estudos toxicológicos gerais realizados em diversas espécies de animais de laboratório revelaram que este fármaco não produz toxicidade sistêmica nem toxicidade no órgão-alvo. Apesar disto, estudos em animais permitiram comprovar que a desirudina é teratogênica e produz alterações no feto como espinha bífida em coelhos e hérnia umbilical em ratos; não se demonstrou que o fármaco possua potencial mutagênico. Dados estes fatos, a desirudina está contraindicada durante a gestação e o período de amamentação.

Interações

Não se recomenda a administração simultânea com heparinas não fracionadas e de baixo peso molecular nem com dextranas, devido ao efeito sinérgico sobre o prolongamento do TTPa. A desirudina pode ser administrada juntamente com anticoagulantes orais, porém recomendam-se controles periódicos do TTPa e do TP do paciente. Deve ser utilizada com precaução quando administrada juntamente com outros fármacos que afetem a função plaquetária, como o ácido acetilsalicílico e anti-inflamatórios não-esteroidais. Não foram feitos estudos quanto ao uso concomitante de desirudina com agentes trombolíticos, ticlopidina e clopidrogel.

Contraindicações

Hipersensibilidade conhecida às hirudinas naturais ou recombinantes, em pacientes com hemorragia ativa e/ou alterações irreversíveis da coagulação, insuficiência renal e hepática grave, gravidez, lactação, hipertensão grave não controlada e endocardite bacteriana subaguda.