DEXMEDETOMIDINA - Propriedades

A dexmedetomidina é um agonista potente e altamente seletivo dos receptores a2-adrenérgicos, com uma grande quantidade de propriedades farmacológicas. Causa sedação e analgesia sem provocar depressão respiratória, e permite que os pacientes possam recobrar a consciência facilmente e cooperar. Entre outras propriedades simpatolíticas, encontram-se: menor grau de ansiedade, estabilidade hemodinâmica, diminuição da resposta hormonal ao estresse e redução da pressão intraocular. Acredita-se que a ação sedante da dexmedetomidina seja mediada principalmente pelos receptores a2-adrenérgicos pós-sinápticos, os quais por sua vez atuam sobre a proteína G sensível à toxina pertussis, o que provoca um aumento da capacidade de condução através dos canais de potássio. O locus ceruleus tem sido implicado como o local de ação para os efeitos sedantes da dexmedetomidina. Acredita-se que a ação analgésica seja mediada por um mecanismos de ação similares em nível cerebral e na medula espinal. A seletividade a2-adrenérgica foi demonstrada com uso de doses pequenas e médias administradas lentamente. A atividade a2>- e a1- adrenérgica foi observada mediante uso de uma administração rápida ou de doses muito elevadas. A dexmedetomidina não possui atividade pelos receptores b-adrenérgicos, muscarínicos, dopaminérgicos ou de serotonina. Após sua administração, apresenta as seguintes características farmacocinéticas: fase de distribuição rápida com uma meia-vida de distribuição de cerca de seis minutos, meia-vida de eliminação terminal de aproximadamente duas horas, volume de distribuição em estado estacionário de aproximadamente 118 litros. A depuração tem valor estimado de cerca de 39 l/h. O peso corporal médio associado com esta estimativa de depuração foi de 72 kg. A dexmedetomidina é eliminada em sua quase totalidade na forma metabolizada; cerca de 95% da dose marcada com isótopo radiativo é eliminadas pela urina e cerca de 4% pelas fezes. Os principais metabólitos eliminados são glicuronídeos. A ligação proteica da dexmedetomidina foi avaliada no plasma de homens e mulheres sadios: a ligação média foi de 94% e manteve-se constante com todas as concentrações estudadas. A ligação com proteínas plasmáticas em homens e mulheres foi similar. Em razão de o fármaco ser metabolizado no fígado, a fração de cloridrato de dexmedetomidina que se ligou a proteínas plasmáticas apresentou-se menor em pacientes com insuficiência hepática.