DULOXETINA Informações da substância

Ações terapêuticas

Antidepressivo. Tratamento da incontinência urinária de esforço.

Propriedades

Trata-se de um antidepressivo relacionado com seus congêneres fluoxetina e paroxetina, que pertence à classe denominada IRSS (inibidores da recaptação de serotonina). Seu mecanismo de ação provavelmente se deve ao aumento do estímulo serotoninérgico no SNC a partir da inibição da recaptação de serotonina (5-HT) pelos neurônios pré-sinápticos. A duloxetina é um bloqueador específico e seletivo da recaptação de serotonina (5-HT) e de noradrenalina (NAd) sem influência significativa sobre outros neurotransmissores (acetilcolina, adrenalina, dopamina, histamina). A eficácia da duloxetina na incontinência urinária de esforço tem relação com a inibição da recaptação da serotonina e norepinefrina no SNC (medula sacra), o que induz a um aumento da estimulação nervosa do esfíncter (músculo estriado) da uretra, o que foi comprovado por um aumento da ordem de 8 vezes na atividade eletromiográfica do músculo. Após sua administração por via oral o fármaco é absorvido no trato digestório e alcança seu pico plasmático máximo 6 horas depois, sem que seja afetado pela presença de alimentos. Possui uma meia-vida plasmática prolongada: 12 horas (8-17 horas), e uma elevada proporção de união com as proteínas plasmáticas ( > 90%), especialmente com a albumina e -glicoproteína. Sofre uma importante biotransformação metabólica (oxidação, conjugação), sendo seus principais metabólitos a hidroxiduloxetina e a hidroxi-metoxi-duloxetina. Sua principal via de eliminação é através da urina ( > 70%), na forma de metabólitos.

Indicações

Depressão moderada ou grave. Transtornos obsessivos-compulsivos. Incontinência urinária de esforço moderada ou grave em mulheres.

Posologia

A dose média por via oral é de 40 mg/dia (20 mg a cada 12 horas). Caso necessário, pode-se empregar 60 mg/dia (30 mg a cada 12 horas). Não há evidências de que doses maiores tenham superioridade terapêutica. A administração do fármaco pode ser feita de modo independente das refeições. Em caso de intolerância ou manifestação de efeitos indesejáveis recomenda-se suspender a medicação de forma gradual e progressiva. Incontinência urinária: 40 mg duas vezes ao dia, em conjunção com um programa de treinamento da musculatura pélvica.

Superdosagem

Não existe um antídoto específico. Em caso de superdosagem deve-se instituir tratamento sintomático e medidas de suporte hemodinâmicas e respiratórias para manter as funções vitais.

Reações adversas

Foram relatados náuseas, constipação, boca seca, sonolência, diminuição do apetite, aumento da sudorese, visão turva, insônia, fadiga, disfunção sexual.

Precauções

É aconselhável efetuar um controle bastante próximo em pacientes depressivos tratados, especialmente no início da terapêutica ou durante a etapa de alterações ou aumento da posologia. Recomenda-se não associar com agentes inibidores da monoaminoxidase (IMAO); é necessário aguardar 14 dias após suspensos estes últimos para então iniciar o tratamento com a duloxetina. Caso tenha feito uso de duloxetina, antes de passar a um IMAO são necessários 5 dias de intervalo. Em caso de gravidez, a relação risco-benefício deverá ser avaliada durante o terceiro trimestre da gestação.

Interações

Quando a duloxetina é associada com fármacos inibidores da CYP1A2 (fluvoxamina, cimetidina, ciprofloxacino, enoxacino), seus níveis séricos aumentam e sua meia-vida é prolongada. A associação com IMAO pode desencadear reações fatais ou graves (delírio, coma, agitação, hipertermia, rigidez, alterações psíquicas, síndromes confusionais). Quando se associa com outros IRSS (paroxetina, fluoxetina) ou quinidina, que são potentes inibidores do sistema CYP2D6, pode haver aumento das concentrações plasmáticas de duloxetina. Foram relatadas arritmias ventriculares graves quando se co-administram duloxetina e tioridazina. A associação com antidepressivos tricíclicos (desipramina, amitriptilina, imipramina, nortriptilina), certos antiarrítmicos (flecainida, propafenona) e neurolépticos fenotiazínicos que são extensamente metabolizadas pelo sistema CYP2D6 pode gerar reações graves, razão pela qual os pacientes nessas condições devem ser monitorados minuciosamente.

Contraindicações

Hipersensibilidade ao fármaco. Insuficiência hepática ou renal grave. Associação com agentes IMAO.