FOSCARNETE SóDICO Informações da substância

Ações terapêuticas

Antivirótico contra o grupo herpes e citomegalovírus (CMV).

Propriedades

Este antivirótico de nova geração, chamado quimicamente de fosfonoformiato trisódico, atua sobre diferentes gêneros viróticos (herpes, varicela-zóster, CMV) com baixa toxicidade para as células infectadas do hóspede. Esse como outros antiviróticos similares (aciclovir, ganciclovir), o foscarnete atua como um bloqueador inibitório específico da DNA-polimerase virótica e impede a síntese ulterior do DNA. Seu mecanismo de ação inibe o crescimento (90%) do vírus DNA-polimerase (herpes, CMV, hepatite) e dos retrovírus com transcriptase reversa (HIV) sem afetar o DNA celular. Foi demonstrado in vitro que o fármaco possui atividade contra todos os vírus do ser humano do grupo herpes, hepatite B e alguns retrovírus incluindo o gênero HIV. Em pacientes com AIDS e retinite por citomegalovírus (CMV), o tratamento com foscarnete proporcionou um maior índice de sobrevida em relação ao grupo tratado com ganciclovir. Sua absorção digestiva é mínima (10-20%), portanto sua administração é IV, e destaca-se sua diminuição triexponencial no sangue: na 1ª etapa sua meia-vida é de ½ hora; 3 horas na 2ª e 18 horas na 3ª etapa. Possui uma baixa ligação protéica (15-17%). Sua concentração sérica depende da função renal e sua dose deve ser ajustada em indivíduos com deficiência renal. Sua penetração no SNC é variável e não se sabe se atravessa a placenta e se é excretado no leite materno.

Indicações

Infecções viróticas por HIV, CMV e outros gêneros, como o vírus da hepatite B. Pacientes com síndrome de imunodeficiêcia adquirida. Retinite por citomegalovírus em pacientes com AIDS. Pneumonia virótica, colite, esofagite; varicela-zóster, herpes, citomelovírus em pacientes imunocomprometidos. A diferença de ganciclovir é que foscarnete pode ser administrado junto com zidovudina.

Posologia

Deve ser administrado unicamente por via IV, seja em uma veia central ou em uma veia periférica. Quando forem usadas veias periféricas, imediatamente antes da administração da solução de foscarnet 24 mg/ml deve ser diluída em solução salina normal ou dextrose 5% até uma concentração de 12 mg/ml. Se for utilizada uma veia central, não é necessária a diluição. Adultos terapia de indução: pode ser administrada em infusão contínua durante 24 horas ou em infusão intermitente a cada 8 horas, em doses de 60 mg/kg, em pacientes com função renal normal. Quando administrado como infusão contínua, o tratamento deve ser iniciado com uma infusão IV de 20 mg/kg de peso, em um período de 30 minutos; segue-se uma infusão IV contínua e a dose é determinada pela função renal estimada pela liberação de creatinina. O tempo de infusão não deve ser menor que 1 hora. Terapia de manutenção: deve ser administrado diariamente em infusão durante 2 horas, com dose determinada pela função renal. Se esta for normal, a amplitude da dose varia entre 90 e 120 mg/kg. As doses recomendadas são aproximadas, e a dose final deve ser baseada no estado clínico.

Precauções

Não pode ser administrado por injeção IV rápida ou bolo. A toxicidade do foscarnete pode aumentar se seus níveis plasmáticos forem elevados. Deve-se tomar cuidado para evitar a superdosagem não-intencional, mediante o controle cuidadoso do ritmo de infusão; para este fim, aconselha-se o uso de bomba de infusão. Apesar do emprego da bomba, foram administradas superdosagens. Desidratação: a toxicidade renal pode ser reduzida mediante uma adequada hidratação do paciente. Quando o fármaco é administrado em infusão contínua, recomenda-se acrescentar 2,5 litros de solução salina normal a cada 24 horas. Com terapia intermitente, acrescenta-se de 0,5 a 1 litro de solução salina normal a cada infusão. Duração do tratamento: recomenda-se um período de indução inicial de 2 a 3 semanas, de acordo com a resposta clínica. Segue-se uma terapia de manutenção com duração que se considere apropriada. Não há experiência do uso de foscarnete em crianças. Recomenda-se cautela em pacientes com função renal diminuída. Considerando que durante a administração de foscarnete pode aparecer, em algum momento, uma deterioração da função renal, deve-se controlar a creatinina sérica cada 2 dias durante a terapia de indução e 1 vez por semana durante a terapia de manutenção. A dose é ajustada de acordo com o efeito sobre a função renal. Para minimizar este efeito, todos os pacientes devem receber uma hidratação adequada. Dado que o foscarnete tende a formar quelatos com íons metálicos bivalentes, como o cálcio, sua administração pode ser associada com uma diminuição no soro de cálcio ionizado. Portanto, deve ser administrado com precaução em pacientes com hipocalcemia prévia ao tratamento e naqueles que recebem outras drogas com possível influência sobre os níveis séricos de cálcio. Aconselha-se monitorar estes níveis durante a terapia. O foscarnete tem propriedades irritantes locais e quando excretado na urina em altas concentrações pode induzir à irritação peniana e, algumas vezes, ulcerações. Durante o tratamento em homens, recomenda-se uma cuidadosa higiene após a micção, para diminuir o efeito irritante local. Não há experiência clínica nem dados de investigação na gravidez e lactação, não sendo, portanto, recomendado seu uso nestes casos. Não é conhecido que afete a condução de automóveis ou maquinário e não tem efeitos sedantes. O fármaco é armazenado à temperatura ambiente (de 15 a 30°C). Não refrigerar. O preparado comercial de foscarnete não contém conservantes e, portanto, uma vez aberto o frasco, qualquer material remanescente deve ser descartado dentro de 24 horas. Nas farmácias hospitalares, as doses preparadas devem ser transferidas para bolsas plásticas para infusão e serem usadas no próprio dia.

Interações

Para a perfusão intravenosa, só devem ser usadas soluções parenterais aconselhadas; deve-se evitar o emprego de solução de dextrose (30%) ou soluções que contenham sais de cálcio. Na bibliografia foram assinalados casos isolados de interações com alguns antibióticos quimioterápicos (anfotericina, vancomicina, cotrimoxazol) e antiviróticos (aciclovir, ganciclovir).

Contraindicações

É contra indicado nos casos de hipersensibilidade conhecida à droga. Não deve ser usado em pacientes em tratamento com pentamidina IV, já que ambas as drogas afetam o nível de cálcio sérico e são potencialmente nefrotóxicas. Não se aconselha sua administração a pacientes submetidos a hemodiálise, pois não foi estabelecida a dose.