INTERFERONA BETA Informações da substância

Ações terapêuticas

1b: modificador da resposta biológica. Recombinante 1a: antiviral, antiproliferativo e imunomodulador.

Propriedades

1b: este imunoterápico possui atividades antivirais e imunorreguladoras. É efetivo na esclerose múltipla recidivante, caracterizada por ataques recorrentes de disfunção neurológica seguida de recuperação completa ou incompleta. Seu mecanismo de ação não é completamente compreendido, porém permite a redução da frequência das recorrências. A interferona beta (1b) liga-se aos receptores da membrana das células humanas que induzem a expressão de numerosos genes, que originam as proteínas responsáveis pelos efeitos da interferona beta (1b). Recombinante 1a: trata-se de uma proteína glicosilada produzida por certas células do sistema imune de vertebrados em resposta a vírus e outros agentes indutores. O r-hIFN-beta 1a, produzido mediante engenharia genética, a partir de células provenientes de ovário de hamster, tem a mesma estrutura do IFN natural e, portanto, são bioequivalentes. Este composto atua por vários mecanismos: induz a síntese de proteínas como a 2', 5'-oligoadenilato sintetase que inibe a replicação viral, aumenta a atividade das células Killer naturais, cuja função principal é destruir as células infectadas e inibir o crescimento celular (ação antiproliferativa). Após administração intravenosa a meia-vida de distribuição é de 5 minutos, enquanto que a de eliminação é de quase 5 horas. O r-hIFN-beta 1a é metabolizado e eliminado principalmente por vias hepática e renal.

Indicações

1b: redução da frequência das exacerbações clínicas da esclerose múltipla recidivante. Tem sido usada isoladamente ou como adjuvante no tratamento do condiloma acuminado. Recombinante 1a: esclerose múltipla, herpes genital, condiloma viral plano e acuminado e tumores sólidos de bexiga, cólon e melanoma, entre outros.

Posologia

1b. Esclerose múltipla recidivante: administrar por via subcutânea 8 milhões de UI de interferona beta (1b), em dias alternados. A eficácia do tratamento foi comprovada até dois anos. Recombinante 1a. Esclerose múltipla. Adultos: via subcutânea, não existe uma dose precisa; a estabelecida em estudos clínicos pode compreender um intervalo de 3 a 12 milhões de unidades internacionais (MUI), três vezes por semana. Herpes genital. Adulto: via subcutânea: 1,5 a 3 MUI na área afetada. Condilomas acuminados. Adulto: subcutânea: 3 MUI distribuídas em torno da base dos condilomas. Oncologia: doses a critério médico.

Superdosagem

Recombinante 1a: não há descrições.

Reações adversas

1b: inflamação, dor e necrose no local da injeção. Sintomas tipo gripe (76% dos pacientes), mialgias, febre, calafrios. Alterações do ciclo menstrual, tonturas, sudorese, sinusite. Desordens mentais: observou-se tentativa de suicídio em 5 (1 morte) de 372 pacientes que receberam interferona beta (1b) durante um período de 3 anos. Recombinante 1a: os efeitos observados compreendem sonolência e insônia, perda de peso, diarreia ou constipação, reações nos locais de injeção, linfadenopatias, alterações da pressão arterial, sensação moderada de cabeça pesada, alterações de parâmetros laboratoriais: discreto aumento na hemossedimentação, leucocitose, neutropenia, trombocitopenia, hipopotassemia, hipotrigliceridemia, discreto aumento de transaminases. Foram registrados menos frequentemente: reações alérgicas, rash, prurido, dispneia, anemia leve, arritmias, alopecia e discreta hiperglicemia. A administração parenteral diária em altas doses pode ocasionar a chamada síndrome flu-like, astenia, aumento da temperatura corporal, tremores, artralgias, mialgias, dor de cabeça temporária, náuseas e vômitos. Todos os efeitos colaterais descritos são reversíveis após realizar tratamentos prolongados.

Precauções

1b: os pacientes devem ser informados que a depressão e ideias de suicídio podem ser um efeito adverso da medicação e que devem reportar essas situações. Nos casos de depressão requer-se monitoramento próximo dos pacientes e a suspensão do tratamento deve ser considerada. Por não existirem provas conclusivas em seres humanos recomenda-se não usar em gestantes ou suspender o tratamento se a paciente engravidar. A amamentação deve ser suspensa se a mulher receber o fármaco. Não foram estabelecidas a segurança e a eficácia do fármaco em menores de 18 anos. Recombinante 1a: nos pacientes com hepatite crônica tipo B que estejam sendo tratados com corticoides, este tratamento deverá ser suspenso durante duas semanas antes da administração de r-hIFN-beta 1a. Recomenda-se vigiar o equilíbrio eletrolítico e os parâmetros sanguíneos durante o tratamento com r-hIFN-beta 1a. Caso os valores de leucócitos, plaquetas e hemoglobina se encontrem nos limites normais, aconselha-se realizar as provas bioquímicas próprias uma a duas vezes por semana. Além disso, se o tempo de protrombina aumenta, este deverá ser vigiado diariamente. Recomenda-se supervisão médica estrita nos pacientes afetados por cardiopatias ou que estejam sendo tratados com fármacos cardiotóxicos. Os efeitos colaterais como a síndrome flu-like e a febre podem ser controlados com administração de paracetamol. Visto não se conhecerem os efeitos deste medicamento sobre o feto, aconselha-se evitar seu uso durante a gravidez. Do mesmo modo, a administração de r-hIFN-beta 1a deverá ser evitada durante a amamentação, exceto naqueles casos em que o benefício para a mãe supere o risco potencial para o lactente. No ínicio do tratamento, e até que a tolerância individual ao fármaco seja conhecida, recomenda-se aos pacientes em tratamento que evitem dirigir veículos ou operar máquinas que requeiram atenção especial.

Interações

Recombinante 1a: deve-se evitar a associação com fármacos que interferem no metabolismo das prostaglandinas, como os corticosteroides em geral, ácido acetilsalicílico e inibidores da prostaglandina-sintetase pois estes fármacos diminuem as ações biológicas do r-hIFN-beta 1a. Caso seja necessária a administração de antialérgicos ou antipiréticos, recomenda-se o paracetamol.

Contraindicações

1b: hipersensibilidade à interferona beta (1b). Hipersensibilidade à albumina humana (quando é um componente da formulação). Recombinante 1a: hipersensibilidade conhecida a este fármaco e pacientes com insuficiência hepática e renal.

Remédio que contêm Interferona beta