IVABRADINA - Propriedades

A ivabradina diminui a frequência cardíaca devido a uma inibição seletiva e específica da corrente If do marca-passo cardíaco, que controla a despolarização diastólica espontânea no nó sinusal e regula a frequência cardíaca. Os efeitos cardíacos são específicos do nó sinusal, sem efeito sobre os tempos de condução intra-atrial, atrioventricular ou intraventricular, nem sobre a contratilidade miocárdica ou sobre a repolarização ventricular. A ivabradina também pode interagir com a corrente Ih retiniana, razão pela qual pode interferir na resolução temporal do sistema visual, restringindo a resposta da retina a estímulos luminosos brilhantes. Em circunstâncias propícias (alterações bruscas de luminosidade), a inibição parcial da corrente h pela ivabradina origina os fenômenos luminosos ou escotomas que os pacientes podem ocasionalmente experimentar. A queda da frequência cardíaca com ivabradina é de aproximadamente 10 bpm em repouso e durante o esforço, razão pela qual se produz uma redução do trabalho cardíaco e do consumo miocárdico de oxigênio. A ivabradina não altera a condução intracardíaca, a contratilidade (é desprovida de efeito inotrópico negativo) nem a repolarização ventricular. Sua absorção é rápida e quase completa após a administração oral e alcança seu pico plasmático em aproximadamente 1 hora quando administrada em jejum. Sua biodisponibilidade absoluta é de aproximadamente 40% da dose administrada, devido ao efeito de primeira passagem intestinal e hepática. Apresenta união de aproximadamente 70% às proteínas plasmáticas e é metabolizada amplamente no fígado e no intestino por meio de oxidação exclusiva pelo citocromo P-450 3A4 (CYP3A4). O principal metabólito ativo é o derivado N-desmetilado, com uma exposição de aproximadamente 40% daquela do fármaco precursor. Este derivado ativo também é metabolizado pela isoenzima CYP3A4. Os inibidores e indutores enzimáticos potentes podem alterar consideravelmente as concentrações plasmáticas da ivabradina. Seus metabólitos são excretados em grau similar pela urina e fezes e aproximadamente 4% de uma dose oral são eliminados inalterados na urina.