LENALIDOMIDA Informações da substância

Propriedades

É um agente imunomodulador com propriedades angiogênicas. Não se conhecem os pormenores do mecanismo de ação de lenalidomida, um fármaco análogo da talidomida. A lenalidomida inibe a secreção de citocinas pró-inflamatórias e aumenta a secreção de citocinas anti-inflamatórias das células mononucleares sanguíneas. Inibe a proliferação de algumas linhagens celulares em cultura, como uma linhagem humana de linfoma de células B com deleção no cromossomo 5. A lenalidomida inibe a expressão da cicloxigenase-2 (COX-2) porém não da COX-1 in vitro. Após sua administração por via oral, é rapidamente absorvida; os alimentos não afetam sua biodisponibilidade. Sua união a proteínas plasmáticas é de aproximadamente 30%. É eliminada principalmente por via renal sem ser metabolizada. Sua meia-vida é de aproximadamente 3 horas.

Indicações

Anemia dependente de transfusões sanguíneas devido a risco pequeno ou moderado de síndrome mielodisplásica associada com deleção de citogenética 5q com ou sem outras anomalias citogenéticas.

Posologia

Dose inicial: via oral, 10 mg. Os pacientes que apresentarem sinais de trombocitopenia devem ter a dose ajustada: 1) Se a trombocitopenia se desenvolve dentro das quatro semanas após iniciado o tratamento com uma dose diária de 10 mg. Se a contagem de plaquetas basal é ≥ 100.000/ml, quando diminuem a < 50.000/ml interromper o tratamento; quando retornam a ≥ 50.000/ml, ajustar a dose para 5 mg diários. Se a contagem de plaquetas basal é < 100.000/ml, quando diminuem cerca de 50% da contagem basal interromper o tratamento; se a contagem basal é ≥ 60.000/ml e retorna a ≥ 50.000/ml, ajustar a dose para 5 mg; se a contagem era < 60.000/ml e retorna a ≥ 30.000/ml, ajustar a dose para 5 mg diários.2) Se a trombocitopenia se desenvolve após quatro semanas de iniciado o tratamento com uma dose diária de 10 mg. Se a contagem de plaquetas basal é < 30.000/ml ou < 50.000/ml ou requer transfusão plaquetária, interromper o tratamento; se a contagem retorna a ≥ 30.000/ml sem alteração hemostática, ajustar a dose para 5 mg diários. Os pacientes aos quais se administram 5 mg de lenalidomida e apresentam sinais de trombocitopenia, devem receber a droga com o seguinte ajuste de doses. Se a contagem de plaquetas basal é < 30.000/ml ou < 50.000/ml ou requer transfusão plaquetária, interromper o tratamento; se a contagem retorna a ≥ 30.000/ml sem alteração hemostática, ajustar a dose para 5 mg diários em todos os restantes 65 dias. Os pacientes aos quais se administram 10 mg de lenalidomida e apresentam sinais de neutropenia, devem receber o fármaco com o seguinte ajuste de doses: 1) Se a neutropenia se desenvolve dentro das quatro semanas de iniciado o tratamento com uma dose diária de 10 mg. Se a contagem de neutrófilos basal é ≥ 750/ml, quando os neutrófilos diminuem a 750/ml, interromper o tratamento; quando retornam a ≥ 1.000/ml, ajustar a dose para 5 mg diários. Se a contagem de neutrófilos basal é < 1.000/ml, quando os neutrófilos diminuem a > 500/ml, interromper o tratamento; quando retornam a ≥ 500/ml ajustar a dose para 5 mg diários. 2) Se a trombocitopenia se desenvolve após quatro semanas de iniciado o tratamento com uma dose diária de 10 mg: quando a contagem de neutrófilos é < 500/ml por ≥ 7 dias ou < 500/ml associado com febre (≥ 38,5°C), interromper o tratamento; quando retornam a ≥ 500/ml, ajustar a dose para 5 mg diários. Se a contagem de neutrófilos basal é < 1.000/ml, quando os neutrófilos diminuem para < 500/ml, interromper o tratamento; quando retornam a ≥ 500/ml, ajustar a dose para 5 mg diários. Os pacientes aos quais se administram 5 mg de lenalidomida e apresentam sinais de neutropenia, devem receber o fármaco com o seguinte ajuste de doses. Quando a contagem de neutrófilos é < 500/ml por ≥ 7 dias ou < 500/ml associado com febre ( 8,5°C), interromper o tratamento; quando retornam a ≥ 500/ml, ajustar a dose para 5 mg diários.

Superdosagem

Não foram registrados casos de superdosagem.

Reações adversas

As principais reações adversas compreendem trombocitopenia, neutropenia, diarreia, prurido, rash cutâneo e fadiga. Menos frequentemente observam-se anemia hemolítica, infarto esplênico, depressão de medula óssea, coagulopatia, anemia hemolítica, anemia refratária, insuficiência cardíaca congestiva, fibrilação atrial, angina de peito, infarto do miocárdio, isquemia miocárdica, bradicardia, arritmia supraventricular, gastrite, gastrenterite, síndrome do cólon irritável, hiperbilirrubinemia.

Precauções

A lenalidomida é um análogo da talidomida (substância teratogênica que ocasiona morte e má-formação fetal); assim, recomenda-se evitar a gravidez mediante o uso de dois métodos contraconceptivos durante o tratamento, durante as interrupções e até 4 semanas após haver terminado a terapia. É aconselhável realizar um controle hematológico semanalmente durante as primeiras 8 semanas de tratamento e pelo menos uma vez ao mês durante o curso do tratamento. Como o fármaco é eliminado principalmente por via urinária, recomenda-se administrar com precaução a pacientes com comprometimento da função renal. Não administrar durante a gravidez nem durante a amamentação.

Contraindicações

Gravidez, hipersensibilidade ao fármaco.