OXAZEPAM Informações da substância

Ações terapêuticas

Ansiolítico. Miorrelaxante. Hipnótico. Anticonvulsivo.

Propriedades

É um derivado benzodiazepínico que atua como um neurodepressor do SNC com diferentes efeitos terapêuticos, conforme a dose (sedação, letargia, hipnose e coma). Atua por um mecanismo de ativação gabaérgica, e facilita a ação inibitória do neurotransmissor ácido gama-aminobutírico (GABA), que é o mediador da inibição, tanto no nível pré-sináptico como pós-sináptico, em todo o neuroeixo. Interage, no nível molecular, com um sítio específico, localizado no complexo molecular (receptor gabaérgico), e aumenta a frequência de abertura do canal do cloro em resposta ao GABA, à diferença dos barbitúricos, que prolongam o tempo de abertura. Como outros benzodiazepínicos, tem uma ação relaxante do musculoesquelético (miorrelaxante) em pacientes hipertônicos, espásticos, discinésicos, que se desenvolve em vários níveis do SNC sem afetar a placa neuromuscular, como os curares. Origina a ação miotonolítica ao facilitar os fenômenos de inibição pré-sináptica, na formação reticular ativadora descendente e nos gânglios da base. Sabe-se que a área neuroanatômica mais sensível ao efeito das benzodiazepinas é o sistema límbico e, dentro dele, o hipocampo e a amígdala com depressão, tanto da atividade neuronial basal como de sua capacidade de resposta à estimulação elétrica. A atividade farmacológica deve-se ao aumento da ação inibidora do GABA diretamente sobre o sistema límbico, ou indiretamente pela inibição da ação da via serotoninérgica dos núcleos do rafe que são projetados em direção à amígdala e ao hipocampo. É considerado uma benzodiazepina clorada de ação intermediária junto ao tenazepam, lorazepam, bromazepam e alprazolam. Após sua administração por via oral, o oxazepam é rápida e completamente absorvido pela mucosa gastrintestinal, o que lhe outorga uma elevada biodisponibilidade plasmática (90-95%) e uma concentração sérica máxima (Tmáx) em 2 horas. Sua união às proteínas plasmáticas é alta (85%) e seu volume de distribuição, de 1 a 15 L/kg. Sofre biotransformação hepática (glicuronoconjugação) para finalmente eliminar-se em grande proporção (90%) por via renal. Sua meia-vida plasmática é de 8 horas e sua liberação plasmática de 113 ml/minuto.

Indicações

Distúrbios por ansiedade. Ansiedade associada com depressão mental. Sintomas de supressão alcoólica aguda. Insônia por ansiedade ou situações passageiras de estresse.

Posologia

A dose média aconselhada varia de 20 a 60 mg diários, divididos em 2 ou 3 ingestões. Em pacientes de idade avançada ou debilitados, a posologia máxima é de 30 mg/dia.

Precauções

Evitar o consumo de álcool ou outros depressores do SNC durante o tratamento. Ter precaução nos idosos, principalmente se forem provocados sonolência, tonturas, torpor ou instabilidade. A administração IV muito rápida pode provocar apneia, hipotensão, bradicardia ou parada cardíaca. A relação risco-benefício deverá ser avaliada durante a gravidez, já que atravessa a placenta e pode originar depressão do SNC ao neonato. Como é excretado no leite materno, durante o período de lactação pode provocar sedação no recém-nascido, dificuldades na alimentação e perda de peso.

Interações

O uso de antiácidos pode retardar, mas não diminuir, a absorção; a administração prévia de oxazepam pode diminuir a dose necessária de um derivado da fentanila para induzir anestesia. O uso simultâneo com levodopa pode diminuir os efeitos terapêuticos desta droga. A escopolamina junto com oxazepam parenteral pode aumentar a incidência de sedação, alucinação e comportamento irracional.

Contraindicações

A relação risco-benefício deverá ser avaliada na presença de intoxicação alcoólica aguda, coma ou choque, antecedentes de abuso ou dependência de drogas, glaucoma de ângulo fechado, disfunção hepática ou renal, hipoalbuminemia, depressão mental grave, miastenia grave, porfiria, psicose e doença pulmonar obstrutiva crônica grave.