OXICODONA Informações da substância

Ações terapêuticas

Analgésico opioide.

Propriedades

A oxicodona é um derivado opioide puro, cuja principal ação terapêutica é a analgesia; em menor grau, exibe ações ansiolítica, euforizante e relaxante. A oxicodona produz depressão respiratória por redução da resposta dos centros respiratórios do tronco cerebral. Em doses inferiores àquelas necessárias para produzir analgesia, pode apresentar ação antitussígena em virtude de sua ação sobre o centro da tosse. A biodisponibilidade da oxicodona é de 60% a 87% e sua meia-vida de eliminação é de 3,2 horas. O volume de distribuição é de 2,61/kg e sua ligação a proteínas é de 45%. É amplamente metabolizada (dando origem a noroxicodona, oximorfona e derivados glicuronídeos) e seus metabólitos (que possuem fraca atividade analgésica) são eliminados pela urina, isoladamente ou forma de conjugados. Dado que a oxicodona é transformada em oximorfona por ação da enzima CY2D6 do citocromo P-450, alguns fármacos que atuam sobre esta enzima poderiam interferir na formação deste metabólito, que em condições normais representa cerca de 15% da dose de oxicodona administrada.

Indicações

Está indicada para dores severas ou moderada de várias origens.

Posologia

Pacientes não-tratados com opioides: dose inicial de 10 mg/12 horas e aumento gradual até alcançar a dose ótima. Pacientes sob tratamento com outros opioides: para passar ao tratamento com oxicodona, deve-se considerar a potência relativa dos fármacos em questão e utilizar um fator de conversão (aproximado) de acordo com a seguinte fórmula: (mg/dia opioide prévio) x (fator de conversão) = (mg/dia de oxicodona oral), onde o fator de conversão é 0,15 para a codeína, 0,9 para hidrocodona, 4 para hidromorfona, 7,5 para levorfanol, 0,1 para meperidina, 1,5 para metadona e 0,5 para a morfina.

Superdosagem

Diante da superdose podem observar-se depressão respiratória, sonolência que evolui para estupor ou coma, flacidez da musculatura esquelética, pele fria, miose, bradicardia, hipotensão e morte. Tratamento: pode-se administrar naloxona ou outro antagonista puro dos opioides caso haja depressão respiratória ou circulatória significativa; em outros casos, deve-se unicamente fornecer suporte sintomático. O uso de antagonistas pode preciptar síndrome de abstinência aguda.

Reações adversas

Poem ocorrer reações graves: depressão respiratória, apneia, parada respiratória, depressão circulatória, hipotensão, choque. Efeitos leves frequentes (mais de 5%) são: constipação, náuseas, sonolência, vertigem, pruridos, vômitos, cefaleia, secura de boca, sudação, astenia. Efeitos adversos pouco frequentes (menos de 1%) são: dor no peito, edema facial, mal estar, enxaqueca, síncope, vasodilatação, disfagia, eructação, flatulência, transtornos gastrintestinais, aumento do apetite, náuseas, vômitos, estomatite, linfadenopatia, desidratação, edema periférico, sede, transtornos de marcha, agitação, amnésia, despersonalização, depressão, instabilidade emocional, alucinações, hipercinesia, hipotonia, parestesia, transtornos da fala, estupor, tinito, tremores, vertigem, síndrome de abstinência, tosse, faringite, pele seca, dermatite exfoliativa, visão anormal, alterações do paladar, disúria, hematúria, poliúria, retenção urinária e impotência.

Precauções

Administrar com precaução a pacientes idosos, debilitados, tratados com depressores do SNC; pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica, com capacidade respiratória reduzida, hipóxia, hipercapnia ou depressão respiratória preexistente. Administrar com precaução a pacientes com lesões cranianas ou intracranianas, pois a ação depressora da respiraçãos da oxicodona inclui retenção de líquido cefalorraquidiano. Administrar com precaução em pacientes hipotensos, hipovolêmicos ou que estejam sob tratamento com fármacos que diminuam o tono vasomotor, pois pode haver potencialização da hipotensão e, além disso, redução do desempenho cardíaco. Utilizar com precaução em pacientes com doença de Addison, alcoolismo agudo, coma, delirium tremens, mixedema, hipotireoidismo, hipertrofia prostática, obstrução uretral, insuficiências pulmonar, hepática ou renal severas, e em psicose tóxica. Não há experiência clínica em anagelsia pré-operatória nem em analgesia pós-cirúrgica imediata (primeiras 12 a 24 horas), portanto seu uso não está recomendado nestes casos. A oxicodona pode causar contração do esfíncter de Oddi e deve ser usada com precaução em enfermidades biliares ou pancreatite aguda. Seu uso pode ser acompanhado de desenvolvimento de tolerância e dependência física pelo tratamento crônico; assim, na retirada abrupta pode desenvolver-se síndrome de tolerância (inquietação, lacrimejamento, rinorreia, bocejos, transpiração profusa, calafrios, mialgias, midríase e, com menor frequência, irritabilidade, ansiedade, dores nas costas, dores articulares, fraqueza, cãibras abdominais, insônia, náuseas, anorexia, vômitos, diarreia, hipertensão, aumento da frequência respiratória, taquicardia). Na mulher, a oxicodona alcança valores plásmaticos 25% mais altos do que no homem.

Interações

Fenotiazínicos: risco de aumento da hipotensão (efeito aditivo). Outros opioides: potencialização da depressão do SNC, risco de depressão respiratória, hipotensão, sedação profunda. Analgésicos opioides mistos agonistas/antagonistas (pentazocina, nalbufina, butorfanol, buprenorfina): administrar com precaução em pacientes que recebem ou tenham recebido tratamento com oxicodona, devido à possível redução do efeito analgésico e à precipitação de sintomas de abstinência. Relaxantes musculares: potencialização do bloqueio neuromuscular e possível aumento da depressão respiratória. Fármacos metabolizados pelo citocromo CYP2D6: administrar com precaução, devido ao risco de bloqueio parcial da eliminação da oxicodona. Depressores do SNC (sedativos, hipnóticos, anestésicos gerais, fenotiazínicos, antieméticos de ação central, tranquilizantes, álcool): recomenda-se iniciar a oxicodona com um terço ou a metade da dose habitual em pacientes em uso de fármacos depressores do SNC, devido ao risco de depressão respiratória, hipotensão e sedação profunda. Inibidores da monoaminoxidase (IMAO): não foi observada interação com esta classe de fármacos. Naloxona, nalmefeno: são antagonistas puros dos opióides e podem ser usados como antídotos da oxicodona em casos de superdose. Ácido acetilsalicílico, anti-inflamatórios não-esteroidais (AINE), paracetamol: podem ser administrados concomitantemente.

Contraindicações

Hipersensibilidade à oxicodona. Patologias em que esteja contraindicada a administração de opioides (pacientes com depressão respiratória não controlada, asma brônquica, hipercapnia aguda ou grave). Íleo paralítico. Gravidez, amamentação.

Remédio que contêm Oxicodona