OXITETRACICLINA Informações da substância

Propriedades

Trata-se de um derivado da família de antibióticos das tetraciclinas (doxiciclina, minociclina) extraído do Streptomyces rimosus, com ações bacteriostáticas-bactericidas sobre numerosos microrganismos Gram-positivos e Gram-negativos, Chlamydias, Mycoplasma, Rickettsia etc., responsáveis pelas infecções respiratórias, geniturinárias e cutâneo-mucosas. Seu mecanismo de ação desenvolve-se sobre os ribossomas microbianos onde altera a síntese de proteínas e inibe o desenvolvimento e crescimento (efeito bacteriostático) do microrganismo, embora possam atuar com bactericidas ao alcançar elevadas concentrações em certos tecidos. Sua absorção digestiva, como os outros derivados, é ampla, difunde-se pelo sangue e liga-se às proteínas plasmáticas em 10%-40%. Entre 40% e 70% são eliminados pela urina sem modificações metabólicas através de filtração glomerular. Em certas ocasiões atinge a circulação fetal através da placenta e o líquido pleural e cefalorraquidiano. Sua meia-vida é prolongada (6-10 horas), concentra-se em nível hepático e também é excretada pela bile, detectando-se nas fezes.

Indicações

Infecções de diferentes localizações (brônquica, uretral, urinária) provocadas por germes sensíveis às tetraciclinas.

Posologia

A dose média por via oral é de 1 a 2 gramas por dia, habitualmente 500 mg cada 6 horas. Em crianças maiores de 8 anos podem ser administradas doses de 25 mg a 50 mg/kg/dia. É aconselhável administrar a dose 1 hora antes ou 2 horas depois das refeições. Em pacientes com insuficiência renal, a dose é reduzida ou os intervalos entre as tomadas são incrementados. Os alimentos, especialmente os laticínios, interferem na sua absorção digestiva. Para o tratamento de brucelose, a administração de 500 mg de oxitetracicilina quatro vezes ao dia, durante três semanas, deve ser acompanhada por estreptomicina, 1 g, intramuscular, duas vezes ao dia, durante a primeira semana e uma vez ao dia na segunda semana. Para o tratamento de gonorreia não-complicada administrar 500 mg por via oral, quatro vezes ao dia durante 7 dias (perfazendo a dose total de 14 g). Para o tratamento da sífilis recente (primária, secundária, sífilis latente de menos de um ano de duração) podem ser administrados 500 mg por via oral, quatro vezes ao dia, durante 15 dias. Sífilis de mais de um ano de duração, exceto neurossífilis (sífilis indeterminada latente ou de mais de um ano de duração, sífilis benigna tardia ou cardiovascular) administram-se 500 mg por via oral, quatro vezes ao dia, durante 30 dias. É bastante difícil que o paciente siga esta dose, portanto deverá ser incentivado para fazê-lo. Recomenda-se um rigoroso acompanhamento que inclui exames laboratoriais. Em adultos, para o tratamento de infecções por Chlamydia retal, endocervical ou uretrite não-complicadas, recomendam-se 500 mg por via oral, quatro vezes ao dia, pelo menos durante 7 dias. Para o tratamento da epididimoorquite, 500 mg por via oral, quatro vezes ao dia, pelo menos durante 10 dias, após o tratamento inicial com um betalactâmico apropriado. Para o tratamento prolongado de acne vulgar e rosácea, a dose habitual é de 250 mg a 500 mg diários, em dose única ou dividida. Recomenda-se a administração de quantidades adequadas de líquido com o comprimido para permitir o arraste do fármaco e reduzir o risco de irritação esofágica (vide Reações adversas).

Reações adversas

Gastrintestinais: anorexia, náuseas, vômitos, diarreia, glossite, disfagia, enterocolite e lesões inflamatórias (com supercrescimento de monílias) na região anogenital. Essas reações têm sido causadas tanto pela administração oral quanto parenteral das tetraciclinas. Raramente foram mencionadas esofagite e ulceração esofágica em pacientes que receberam cápsulas ou comprimidos da classe das tetraciclinas. A maioria desses pacientes tomou sua medicação imediatamente antes de deitar-se. Cutâneas: exantemas maculopapulares e eritematosos. Foi relatada dermatite esfoalitiva, porém não é frequente. Fotossensibilidade. Toxicidade renal: foi relatado um aumento do nitrogênio ureico sanguíneo aparentemente relacionado com a dose (vide Precauções). Reações de hipersensibilidade: urticária, edema angioneurótico, anafilaxia, púrpura anafilactoide, pericardite e exacerbação de lúpus eritematoso sistêmico. Fontanelas salientes em lactentes e hipertensão intracraniana benigna em adultos foram relatadas após uma dose terapêutica completa. Esses sinais desapareceram com a descontinuação do fármaco. Hemáticas: foram relatadas anemia hemolítica, trombocitopenia, neutropenia e eosinofilia.

Precauções

Como outros antibióticos, pode promover o desenvolvimento de microrganismos resistentes, incluindo fungos. Caso ocorra uma superinfecção deve-se interromper o antibiótico e administrar um tratamento apropriado. Em caso de doenças venéreas, quando há suspeita de sífilis coexistente, aconselha-se realizar um exame de campo escuro antes de começar o tratamento e a sorologia deve ser repetida mensalmente pelo menos durante quatro meses. Em tratamentos prolongados devem ser realizadas avaliações laboratoriais periódicas, incluindo estudos hematopoiéticos, renais e hepáticos. Todas as infecções causadas pelo estreptococo beta-hemolítico do grupo A devem ser tratadas pelo menos durante 10 dias. Uso em lactantes: as tetraciclinas são excretadas no leite materno. Devido às sérias reações adversas potenciais em crianças durante a lactação, as tetraciclinas somente devem ser utilizadas quando, na opinião do médico, os benefícios potenciais superam os riscos. Interação com o fármaco: como as tetraciclinas têm demonstrado diminuir a atividade da protrombina plasmática, os pacientes em tratamento com anticoagulantes podem necessitar de uma redução na dose dos mesmos. Uma vez que os fármacos bacteriostáticos podem interferir com ação bactericida da penicilina, aconselha-se evitar a administração concomitante de tetraciclinas e penicilinas. A absorção de tetraciclina é diminuída por antiácidos contendo alumínio, cálcio ou magnésio e preparações contendo ferro. Foi relatada toxicidade renal aguda com o uso concomitante de tetraciclinas e metossifluorano. Caso haja comprometimento renal, mesmo as doses orais ou parenterais habituais podem conduzir ao acúmulo sistêmico excessivo do fármaco e a uma possível toxicidade hepática. Nessas circunstâncias são indicadas doses menores que as habituais e, caso o tratamento seja prolongado, pode ser aconselhável a determinação dos níveis séricos do fármaco. Em alguns indivíduos que tomam tetraciclina foi observado fotossensibilidade, manifestada por uma reação exagerada à exposição solar. Pessoas que comumente se expõem à luz solar direta ou à luz ultravioleta devem ser prevenidas quanto a essas reações que podem ocorrer com as tetraciclinas. A ação antianabólica das tetraciclinas pode causar aumento do nitrogênio ureico sanguíneo. Embora isso não represente um problema para aqueles com função renal normal, nos pacientes com função renal significativamente deteriorada, níveis elevados de tetraciclina podem levar à axotemia, hiperfosfatemia e acidose. Uso em recém-nascidos, primeira infância e crianças: o uso de fármacos do grupo das tetraciclinas durante o desenvolvimento dos dentes (metade final da gravidez, primeira infância e até os 8 anos) pode provocar uma descoloração permanente dos dentes (amarelo, cinza-castanho). Essa reação adversa é mais comum com o uso dos fármacos a longo prazo, mas também tem sido observada após repetidos tratamentos de curta duração. Também foi descrita hipoplasia do esmalte dos dentes. Portanto, as tetraciclinas não devem ser utilizadas em pacientes desse grupo etário a menos que outros fármacos não se mostrem eficazes ou sejam contraindicados. Todas as tetraciclinas formam um complexo estável com cálcio em qualquer tecido ósseo em formação. Em prematuros que receberam tetraciclina oral em doses de 25 mg/kg a cada 6 horas foi observada uma diminuição do crescimento da fíbula. Essa reação se mostrou reversível ao suspender o fármaco.

Interações

Em virtude das tetraciclinas demonstrarem diminuir a atividade da protrombina plasmática, os pacientes em tratamento anticoagulante podem requerer diminuição da dose do mesmo. Uma vez que os fármacos bacteriostáticos podem interferir com a ação bactericida da penicilina, aconselha-se evitar a administração concomitante de tetraciclinas e penicilinas. A absorção de tetraciclina é diminuída por antiácidos contendo alumínio, cálcio ou magnésio e preparações contendo ferro. O uso concomitante de tetraciclinas e metossifluorano provoca toxicidade renal aguda.

Contraindicações

Pessoas com hipersensibilidade às tetraciclinas. Os resultados de estudos em animais com antimicrobianos da família das tetraciclinas indicam que as tetraciclinas atravessam a placenta, apresentam-se nos tecidos fetais e podem ter efeitos tóxicos no desenvolvimento do feto (frequentemente relacionados com retardo do desenvolvimento do esqueleto). Detectou-se evidência de embriotoxicidade em animais tratados no início da gravidez. A oxitetraciclina é contraindicada na gravidez, mas se for utilizada, a paciente deverá ser alertada quanto ao risco potencial para o feto.

Remédio que contêm Oxitetraciclina