QUINUPRISTINA + DALFOPRISTINA Informações da substância

Propriedades

Trata-se de antibióticos estreptogramínicos que possuem, in vitro, atividade bacteriostática individual contra bactérias Gram-positivas. Os dois componentes apresentam-se na proporção de 30% de quinupristina e 70% de dalfopristina; deste modo, atuam sinergicamente, sendo a ação farmacológica de ambos superior à de cada um individualmente. Além disto, os metabólitos de ambos os fármacos também possuem atividade antimicrobiana. A quinupristina + dalfopristina é uma associação bactericida com atividade in vitro contra espécies de Staphylococcus e estreptococos meticilinassensíveis, sendo por outro lado, bacteriostático contra Enterococcus faecium, podendo atingir a atividade antibacteriana quando utilizada em associação com os agentes que atuam em nível de parede bacteriana (ampicilina e amoxicilina). Seu mecanismo de ação difere do das outras classes de agentes antibacterianos, como betalactâmicos, aminoglicosídeos, glicopeptídicos, quinolônicos, macrolídeos, lincosamídeos e tetraciclinas. Não há resistência cruzada com estes agentes. A quinupristina + dalfopristina pode ser associada aos antimicrobianos contra Gram-negativos em infecções mistas, em caso de suspeita ou confirmação de patógenos Gram-negativos. O espectro da atividade antibacteriana in vitro da quinupristina + dalfopristina inclui Corynebacterium jeikeium, Staphylococcus haemolyticus, Enterococcus faecium, Staphylococcus hominis, Van A Staphylococcus saprophyticus, Van B Staphylococcus simulans, Lysteria monocytogenes, Staphylococcus warneri, Staphylococcus aureus, Streptococcus agalactiae, Streptococcus pneumoniae meticilina-sensíveis, Staphylococcus capitis, Streptococcus pyogenes, Staphylococcus epidermidis, Streptococcus grupo viridans meticilinassensíveis, Legionella pneumophyla, Neisseria meningitidis, Legionella sp., Neisseria gonorrhoeae, Moraxella catarrhalis, Porfiromonas asaccharolytica, Mycoplasma pneumoniae, Chlamydia pneumoniae, Enterococcus hirae, Streptococcus grupo C, Lactobacillus sp., Streptococcus grupo G, Leuconostoc sp. , Clostridium perfringens, Peptostreptococcus sp., Enterococcus avium, Enterococcus gallinarum, Enterococcus casseliflavus, Pediococcus sp., Enterococcus durans, Streptococcus bovis, Enterococcus faecalis, Acinetobacter sp., Haemophilus parainfluenzae, Enterobacteriaceae, Pseudomonas sp., Haemophilus influenzae, Bacteroides sp., Prevotella bivia, Clostridium sp., Prevotella melaninogenica, Fusobacterium sp., Veillonella sp. A quinupristina e a dalfopristina são os principais componentes ativos circulantes no plasma. A ligação com proteínas plasmáticas é de aproximadamente 55% a 78% para a quinupristina, e de 11% a 26% para a dalfopristina. Estudos in vitro demonstraram que ambos os fármacos penetram no interior de macrófagos humanos com relações de concentrações intracelular/extracelular de 60:1 para a quinupristina e de 30:1 para a dalfopristina; a seguir, lentamente os fármacos são transferidos para a corrente sanguínea. O metabolismo destes fármacos é importante e independente do citocromo P-450 e da glutationa transferase. A principal via de eliminação é fecal; somente 15% da dose de quinupristina e 19% da dose de dalfopristina são eliminadas por via renal.

Indicações

Infecções causadas por bactérias Gram-positivas sensíveis, quando estiver indicada a terapia intravenosa.

Posologia

Por infusão intravenosa, a dose recomendada é 7,5 mg/kg de peso a cada 8 ou 12 horas, administrada através de cateter venoso central em solução glicosada a 5%, durante um período de 60 minutos. A recomendação para infecções cutâneas complicadas é de 7,5 mg/kg a cada 12 horas durante 7 dias; pneumonia nosocomial: 7,5 mg/kg a cada 8 horas, durante 10 dias; infecções causadas por Enterococcus faecium vancomicinarresistentes: 7,5 mg/kg a cada 8 horas, dependendo a duração do tratamento do sítio de infecção; infecções causadas por Staphylococcus aureus (incluindo cepas meticilinassensíveis e meticilinarresistentes): 7,5 mg/kg a cada 8 horas, dependendo da duração do tratamento e do sítio de infecção.

Reações adversas

As principais reações adversas compreendem inflamação, dor, edema e reações no ponto de infusão, tromboflebite, náuseas, diarreia, vômitos, dores torácicas, febre, flebite, constipação, dispepsia, pancreatite, enterocolite pseudomembranosa, estomatites, gota, edema periférico, artralgia, mialgia, ansiedade, confusão, vertigens, insônia, parestesias, vasodilatação, dispneia, exantema maculopapuloso, urticária, hematúria, vaginite. Mais raramente registraram-se hiponatremia, anorexia, hipotensão, taquicardia, icterícia, hepatite e faringite.

Precauções

Recomenda-se administrar unicamente por infusão lenta. A segurança e a eficácia de uma infusão intravenosa com duração superior a 60 minutos não foram estudadas, razão pela qual não se recomenda utilizar outros regimes de administração. Recomenda-se não administrar quinupristina + dalfopristina a pacientes com idade inferior a 18 anos, pois a eficácia e a segurança quanto ao uso desta associação medicamentosa neste grupo etário não estão estabelecidas. Caso seja feita administração concomitante com outro medicamento, cada fármaco deve ser administrado em separado, conforme a dose e a vida de administração apropriadas. Deve-se evitar a administração conjunta com medicamentos metabolizados pelo sistema enzimático citocromo P-450 3A4 e que podem provocar prolongamento do intervalo QTc, como terfenadina, astemizol, cisaprida, disopiramida, quinidina e lidocaína. Não é necessário realizar modificações nas doses de quinupristina + dalfopristina administradas a pacientes com insuficiência renal e em obesos. Recomenda-se reajustar as doses em pacientes com insuficiência hepática. Observou-se, durante o tratamento com quinupristina + dalfopristina, um aumento da bilirrubinemia, possivelmente devido à competição entre estes fármacos e a bilirrubina pelos mecanismos de eliminação. O uso de quinupristina + dalfopristina pode acarretar um supercrescimento de microrganismos não sensíveis, como E. faecalis. Caso haja manifestação de sintomas de artralgia e mialgia graves, recomenda-se diminuir a frequência da administração ou suspender o tratamento. Estudos in vivo e in vitro em ratos e camundongos demonstraram que a quinupristina + dalfopristina não induz efeitos teratogênicos nem mutagênicos. Recomenda-se não administrar a mulheres durante o período de amamentação ou durante a gravidez.

Interações

A quinupristina + dalfopristina inibe significativamente a atividade da isoenzima citocromo P-450 3A4 e o metabolismo CYP3A4 da ciclosporina A, midazolam, nifedipino e terfenadina. Assim, a administração concomitante com ciclosproina, nifedipino e midazolam causa aumento dos níveis plasmáticos destas últimas. Não se observa antagonismo na associação de quinupristina + dalfopristina com aztreonam, cefotaxima, ciprofloxacino e gentamicina contra Enterobacteriaceae e Pseudomonas aeruginosa, aminoglicosídeos, betalactâmicos, glicopeptídeos, quinolonas, tetraciclinas e cloranfenicol contra Enterococcus e Staphylococcus.

Contraindicações

Hipersensibilidades conhecidas à quinupristina, à dalfopristina ou a outras enteroptograminas (pristinamicina ou virginiamicina).