RILUZOL Informações da substância

Propriedades

Mecanismo de ação: desconhecem-se a etiologia e a patogênese da esclerose lateral amiotrófica (ELA), embora tenham sido sugeridas algumas hipóteses a respeito. Uma hipótese é que os neurônios motores, que se tornam vulneráveis seja por predisposição genética ou por fatores ambientais, são danificados pelo glutamato. Em alguns casos de ELA familiar verificou-se que a enzima superóxido dismutase era defeituosa. Desconhece-se o modo de ação do riluzol. Entre suas propriedades farmacológicas incluem-se as seguintes, algumas das quais podem ser relacionadas com seu efeito: 1) efeito inibidor sobre a liberação de glutamato; 2) inativação dos canais de sódio voltagem-dependentes; 3) habilidade para interferir em eventos intracelulares posteriores à ligação do transmissor em receptores aminoácidos excitatórios. Em um único estudo em um modelo transgênico de ELA em camundongos demonstrou-se que riluzol retarda o tempo médio até a morte. Esses camundongos expressam a enzima superóxido dismutase humana, portanto uma das mutações encontradas em uma das formas familiares de ELA humana. Também é neuroprotetor em vários modelos experimentais de dano neuronal in vivo nos quais se sabe que estão implicados mecanismos exitotóxicos. Nas provas in vitro, riluzol protegeu os motoneurônios cultivados de ratos dos efeitos exitotóxicos do ácido glutâmico, reduzindo em 20% a área sob a curva e os níveis máximos no sangue em aproximadamente 45%. A meia-vida de eliminação do riluzol é de 12 horas, após doses repetidas. Com a administração de doses múltiplas, acumula-se aproximadamente o dobro de riluzol no plasma e se consegue um nível constante em menos de 5 dias. 96% do riluzol ligam-se às proteínas plasmáticas, principalmente albumina e lipoproteínas acima do intervalo de concentração clínica. O comprimido de 50 mg comercializado é equivalente, com relação à área sob a curva, ao comprimido utilizado nos ensaios clínicos de intervalo de dose, enquanto a Cmáx é aproximadamente 30% mais elevada. Ambos os comprimidos foram utilizados nos ensaios clínicos. No entanto, se forem administradas doses superiores às recomendadas, é provável que se obtenham níveis mais elevados no plasma, cuja segurança não foi ainda estabelecida (vide Posologia). Metabolismo e eliminação: riluzol é metabolizado extensivamente em seis metabólicos de maior importância e em uma série de metabólitos de menor importância, dos quais nem todos foram identificados. Alguns metabólitos aparecem como farmacologicamente ativos em ensaios in vitro. O metabolismo de riluzol é principalmente hepático e consiste em hidroxilação dependente do citocromo P-450 e subsequente glicuronidação. Existe uma acentuada variabilidade interindividual no clearance de riluzol, provavelmente atribuída à variabilidade de atividade de CYP 1A2, a principal isoenzima envolvida na N-hidroxilação. Os estudos in vitro utilizando microssomos hepáticos demonstraram que a hidroxilação do grupo amino primário, que produz N-hidroxiriluzol, é a principal via metabólica no ser humano, macaco, cachorro e coelho. Em seres humanos, o citocromo P-450 1A2 é a principal isoenzima envolvida na N-hidroxilação. Os estudos in vitro demonstram que é pouco provável que CYP 2D6, CYP 2C19, CYP 3A4 e CYP 2E1 contribuam significativamente no metabolismo do riluzol no ser humano. Enquanto a glucuroconjugação direta de riluzol (que envolve a isoforma da glicotransferase UGT-HP4) é muito lenta nos microssomos hepáticos humanos, N-hidroxiriluzol é facilmente conjugado no grupo de hidroxilamina, resultando na formação de O-( > 90%)N-glucurônicos. Depois de uma dose única de 150 mg de 14C-riluzol administrada em 6 homens sadios, recuperam-se 5% nas fezes, ao longo de um período de 7 dias. Os glicurônicos representaram mais de 85% dos metabólitos na urina. Somente 2% de uma dose de riluzol foram recuperados na urina, como fármaco inalterado. Populações especiais: não foi estudada a farmacocinética do riluzol, em indivíduos com deficiência renal e hepática, nem existe informação sobre os efeitos de cigarro, idade e gênero sobre a farmacocinética do riluzol mas devem ser antecipadas certas diferenças nos subconjuntos de população (vide Precauções). Doenças hepática e renal: como o riluzol é metabolizado extensivamente e posteriormente excretado na urina, é possível que as deficiências funcionais hepática e renal diminuam o clearance de riluzol e seus metabólicos e resultem em níveis plasmáticos mais elevados (vide Precauções). Idade: pode-se esperar que a função renal, diminuída pela idade, resulte em níveis mais elevados de riluzol e metabólitos no plasma. No entanto, em ensaios clínicos controlados nos quais aproximadamente 30% dos pacientes eram maiores de 65 anos, não houve diferenças nos eventos adversos entre pacientes jovens e idosos (vide Precauções). Gênero: informou-se que a atividade CYP 1A2 é menor em mulheres do que em homens. Portanto, pode-se esperar um efeito por gênero em mulheres, resultando em concentrações mais elevadas de riluzol no sangue e seus metabólitos (vide Precauções). No entanto, com relação aos efeitos favoráveis ou adversos do riluzol, em ensaios controlados, não foram observados efeitos atribuíveis ao gênero. Cigarros: sabe-se que o ato de fumar cigarros induz CYP 1A2. Pode-se esperar que os pacientes que fumam eliminem riluzol com maior facilidade. No entanto, não existe informação sobre o efeito ou a necessidade de um ajuste de dose nestes pacientes. Raça: observou-se que o clearance de riluzol em indivíduos de raça japonesa, nativos do Japão, era 50% mais baixo em comparação com os caucasianos, depois da normalização do peso corporal. Embora não fique claro se a diferença é devida a fatores genéticos ou ambientais (exemplo: cigarros, álcool, café e preferências alimentares), é possível que os indivíduos japoneses possuam uma capacidade menor (oxidativa ou conjugativa) para metabolizar riluzol. No entanto, não existem estudos de doses menores em indivíduos japoneses (vide Precauções).

Indicações

Riluzol é indicado no tratamento de pacientes com esclerose lateral amiotrófica (ELA). Riluzol amplia a sobrevivência ou o tempo até a traqueostomia. Não existem evidências de que riluzol exerça efeitos terapêuticos sobre a função motora, função pulmonar, fasciculações, força motriz e sintomas motores. Riluzol não demonstrou ser eficaz nos estágios finais de ELA.

Posologia

A dose diária recomendada é de 50 mg a cada 12 horas. Não se pode esperar nenhum benefício ao incrementar a dose diária, no entanto, existe um aumento de efeitos adversos. Riluzol deve ser tomado pelo menos uma hora antes ou duas horas depois de uma refeição para evitar uma diminuição da biodisponibilidade relacionada com os alimentos. Populações especiais - Pacientes com deficiência da função renal ou hepática: ainda não foram completados os estudos dessas populações (vide Precauções e Propriedades.)

Superdosagem

Não foram comunicados casos de superdose com riluzol. Não há nenhum antídoto específico ou informação sobre o tratamento de superdose com riluzol. Em caso de superdose, deve-se descontinuar imediatamente a terapia com riluzol. O tratamento deve ser de apoio e dirigido ao alívio dos sintomas. A dose oral letal média estimada é de 94 mg/kg e 39 mg/kg para camundongos e ratos machos, respectivamente.

Reações adversas

As reações adversas mais habituais observadas, associadas com o uso de riluzol menos frequentes em pacientes tratados com placebo, foram astenia, náuseas, tonturas, função respiratória diminuída, diarreia, dor abdominal, pneumonia, vômitos, vertigem, parestesias, anorexia e sonolência. Astenia, náuseas, tonturas, diarreia, vertigem, parestesias, anorexia e sonolência encontram-se associadas com a dose. Aproximadamente 14% (n = 141) dos 982 indivíduos com ELA que receberam riluzol nos ensaios clínicos prévios à comercialização interromperam o tratamento devido a uma experiência adversa. Os efeitos adversos que se manifestaram com maior frequência nos pacientes que interromperam o tratamento devido a tais efeito são náuseas, dor abdominal, constipação e elevações de alanina aminotransferase. Em um estudo de resposta diante da dose, em pacientes com ELA, os níveis de interrupção do tratamento com riluzol devido a astenia, náuseas, dor abdominal e elevação de alanina aminotransferase foram associados à dose. Outros efeitos adversos observados: outros efeitos que ocorreram em mais de 2% dos pacientes tratados com riluzol 100 mg/dia, porém de forma equivalente ou mais frequentemente no grupo placebo, incluem: lesão acidental, apneia, bronquite, constipação, morte, disfagia, dispneia, síndrome gripal, parada cardíaca, esputo incrementado, pneumonia e transtornos respiratórios. O perfil de eventos adversos totais para riluzol foi similar entre membros do sexo feminino e masculino independentemente da idade. Como o maior grupo racial não-branco constituiu somente 2% dos pacientes expostos a riluzol (18/794) em ensaios controlados com placebo, não existe suficiente informação para respaldar informes sobre experiências adversas, por raça. Nos estudos de ELA, as tonturas apresentaram-se mais frequentemente no sexo feminino (11%) do que no sexo masculino (4%). Não foram observadas diferenças entre membros do sexo masculino e feminino nos níveis de interrupção do tratamento com riluzol, atribuíveis a experiências adversas individuais. Outros efeitos adversos observados durante todos os ensaios clínicos: riluzol foi administrado em 1.713 indivíduos durante todos os ensaios clínicos, alguns dos quais foram controlados contra placebo. Durante estes ensaios os pesquisadores clínicos registraram todos os efeitos adversos, utilizando terminologia de sua própria eleição. Para poder obter um valor estimado significativo da proporção de indivíduos que apresentaram efeitos adversos, os eventos de tipo similar foram agrupados em um número menor de categorias padronizadas, usando terminologias do dicionário Costart modificado. As frequências apresentadas representam a proporção de 1.713 indivíduos tratados com riluzol que experimentaram um evento do tipo citado, em pelo menos uma oportunidade, enquanto recebiam riluzol. Além disso, os eventos foram classificados em categorias do sistema corporal e enumerados em ordem de frequência decrescente, utilizando as seguintes definições: reações adversas frequentes, aquelas que ocorrem em pelo menos 1/100 pacientes; reações adversas não-frequentes, aquelas que ocorrem em 1/100 a 1/1.000 pacientes; reações adversas excepcionais, aquelas que ocorrem em menos de 1/1.000 pacientes. Sistema corporal em sua totalidade. Frequente: hostilidade. Infrequentes: abscesso, sepsia, reação de fotossensibilidade, celulite, edema facial, hérnia, peritonite, tentativa de suicídio, reação no local da injeção, calafrios, síndrome gripal, lesão intencional, abdome avultado, neoplasia. Excepcionais: acrodinia, hipotermia, monilíase, artrite reumatóide. Sistema digestório. Infrequentes: aumento do apetite, obstrução intestinal, bolo fecal, hemorragia gastrintestinal, gastrite, incontinência fecal, icterícia, hepatite, glossite, hemorragia de gengivas, pancreatite, tenesmo, estenose esofágica. Excepcionais: queilite, colecistite, hematêmese, melena, dor biliar, proctite, enterocolite pseudomembranosa, glândula salivar avultada, descoloração da língua, cáries dentais. Sistema nervoso. Frequentes: agitação, tremor. Infrequentes: alucinações, transtornos da personalidade, pensamento anormal, coma, reação paranoica, reação maníaca, ataxia, síndrome extrapiramidal, hipoquinesia, retenção urinária, labilidade emocional, delírios, apatia, hipoestesia, incoordenação, confusão, convulsão, cãibras em membros inferiores, amnésia, disartria, libido incrementada, estupor, hematoma subdural, andar anormal, delírio, despersonalização, paralisia facial, hemiplegia e libido diminuída, mioclonias. Excepcionais: sonhos anormais, síndrome cerebral aguda, depressão do SNC, demência, embolia cerebral, euforia, hipotonia do íleo, neurite periférica, psicose, depressão psicótica, reação esquizofrênica, trismo, ptose do carpo. Pele e apêndice. Infrequentes: ulceração da pele, urticária, psoríase, seborreia, transtorno da pele, dermatite fúngica. Excepcionais: angioedema, dermatite por contato, eritema multiforme, furunculose, monilíase da pele, granuloma da pele, nódulo da pele. Sistema respiratório. Infrequentes: soluço, transtorno da pleura, asma, epistaxe, hemoptise, bocejos, hiperventilação, edema pulmonar, hipoventilação, carcinoma de pulmão, hipoxia, laringite, derrame pleural, pneumotórax, monilíase respiratória, estridor. Sistema cardiovascular. Infrequentes: síncope, hipotensão, insuficiência cardíaca, enxaqueca, doença vascular periférica, angina pectoris, infarto de miocárdio, extrassístole ventricular, hemorragia cerebral, fibrilação auricular, bloqueio de ramo, insuficiência cardíaca congestiva, pericardite, êmbolo de extremidade inferior, isquemia do miocárdio, choque. Excepcionais: bradicardia, isquemia cerebral, hemorragia, oclusão de artéria mesentérica, hemorragia subaracnoide, taquicardia supraventricular, trombose, fibrilação ventricular, taquicardia ventricular. Transtornos metabólicos e nutricionais. Infrequentes: gota, acidose respiratória, edema, sede, hipopotassemia, hiponatremia, aumento de peso. Excepcionais: edema generalizado, hiperpotassemia, hipercolesterolemia. Sistema endócrino. Infrequentes: diabetes mellitus, neoplasia de tireoide. Excepcionais: diabetes insípida, transtorno paratireoide. Sistemas hemático e linfático. Infrequentes: anemia, leucocitose, leucopenia, equimose. Excepcionais: neutropenia, anemia aplásica, cianose, anemia hipocrômica, anemia por deficiência de ferro, linfoadenopatias, petéquias, púrpura. Sistema musculoesquelético. Infrequentes: artrose, miastenia, neoplasia óssea. Excepcionais: necrose óssea, osteoporose, tetania. Sentidos especiais. Infrequentes: ambliopia, oftalmite. Excepcionais: blefarite, cataratas, surdez, diplopia, dor de ouvido, glaucoma, hiperacusia, fotofobia, perda do paladar, transtornos vestibulares. Sistema urogenital. Infrequentes: urgência urinária, anormalidade da urina, incontinência urinária, cálculo renal, hematúria, impotência, carcinoma de próstata, dor nos rins, metrorragia, priapismo. Excepcionais: amenorreia, abscesso da mama, dor no peito, nefrite, nictúria, pielonefrite, leiomioma uterino, hemorragia uterina, monilíase vaginal. Exames de laboratório. Infrequentes: aumentos de gama glutamil transferase (GGT), função hepática anormal, aumento de fosfatase alcalina, prova de Coombs direta positiva, aumento de gamaglobulinas. Excepcionais: aumento de desidrogenase láctica.

Precauções

Advertências. Lesão hepática/monitoração química do fígado: riluzol deve ser receitado com cautela em pacientes com evidência atual ou antecedentes de função hepática anormal, apreciável por anormalidades significativas em transaminases no soro (alanina-aminotransferase/transaminase sérica glutâmica-pirúvica (TGP); aspartato-aminotransferase/transaminase sérica glutâmica-oxalacética (TGO); bilirrubina e/ou níveis de gamaglutamato transferase (GGT) (vide Precauções e Posologia). O uso de riluzol deve ser interrompido diante do incremento de valores-base de vários testes de função hepática (especialmente bilirrubina elevada). Riluzol, ainda, provoca elevação de aminotransferase no soro, em pacientes sem antecedentes prévios de doença hepática. A experiência em quase 800 pacientes com ELA indica que aproximadamente 50% dos tratados com riluzol experimentam, pelo menos, um nível de alanina aminotransferase/transaminase sérica glutâmica pirúvica acima do valor limite normal; aproximadamente 8% experimentam elevações > 3 x valor limite normal e aproximadamente 2% experimentam elevações > 5 x valor limite normal. Somente um paciente sem ELA, com epilepsia, tratado com carbamazepina e fenobarbital de forma simultânea, experimentou uma elevação acentuada e rápida de enzimas hepáticas com icterícia (alanina aminotransferase 26 x valor-limite normal, aspartato aminotransferase 17 x valor limite normal e bilirrubina 11 x valor-limite normal) quatro meses depois de iniciar o tratamento com riluzol; esses valores voltaram ao normal sete semanas após a interrupção do tratamento. Os incrementos máximos de alanina aminotransferase no soro manifestaram-se dentro dos três meses após o início da terapia com riluzol e foram geralmente transitórios quando alcançavam < 5 vezes o valor-limite normal. Nos ensaios, se os níveis eram < 5 vezes o valor-limite normal, continuava-se o tratamento e os níveis de alanina aminotransferase geralmente voltavam a menos de duas vezes o valor-limite normal dentro de um prazo de 2 a 6 meses. No entanto, o tratamento dentro dos estudos era descontinuado se os níveis de alanina aminotransferase excediam 5 vezes o valor-limite normal, portanto, não existe experiência com tratamento contínuo em pacientes com ELA uma vez que os valores de alanina aminotransferase excederam o valor-limite normal em 5 vezes (vide Precauções: exames de laboratório). Excepcionalmente apresentaram-se casos de icterícia. Os valores químicos do fígado devem ser monitorados (vide Precauções). Neutropenia: entre os quase 4.000 pacientes nos quais foi administrado riluzol por ELA, apresentaram-se três casos de neutropenia acentuada (contagem absoluta de neutrófilos inferior a 500/mm3), todos observados dentro dos dois primeiros meses de tratamento com riluzol. Em um caso, com tratamento contínuo, a contagem de neutrófilos aumentou. Em um segundo caso, a contagem sofreu incremento depois que a terapia foi interrompida. Um terceiro caso foi mais complexo, com acentuada anemia assim como neutropenia e a etiologia de ambas era incerta. Deve-se alertar os pacientes sobre a necessidade de informar seus médicos sobre qualquer doença febril, para controlar a contagem de glóbulos brancos. Precauções. Uso em pacientes com doenças concomitantes: riluzol deve ser usado com cuidado em pacientes com insuficiência hepática, renal ou ambas (vide Precauções e Propriedades). Em particular, em casos de lesão hepática induzida por riluzol, manifestada por enzimas hepáticas elevadas, desconhece-se o efeito da lesão hepática sobre o metabolismo de riluzol. Populações especiais: riluzol deve ser usado com precaução em pacientes de idade avançada, cujas funções hepáticas ou renais possam estar comprometidas devido à idade. Também os pacientes do sexo feminino ou de origem japonesa podem apresentar menor capacidade metabólica para eliminar o riluzol, em comparação com pessoas do sexo masculino e caucasianos, respectivamente (vide Propriedades: populações especiais). Informação para o paciente: deve-se recomendar aos pacientes que informem seus médicos sobre qualquer doença febril (vide Precauções advertências: neutropenia). Deve-se recomendar aos pacientes e às pessoas no cuidado de sua saúde, que riluzol seja administrado regularmente e à mesma hora do dia (por exemplo, manhã e tarde) a cada dia. Se uma dose for omitida, deve-se ingerir o comprimido seguinte conforme tinha sido programado (vide Posologia). Os pacientes devem ser alertados quanto ao potencial para tonturas, vertigem ou sonolência e devem ser alertados ainda para não conduzir ou operar máquinas até que tenham adquirido suficiente experiência com riluzol para avaliar se o fármaco os afeta, adversamente ou não, o seu desempenho mental ou atividade motora. Desconhece-se se o álcool incrementa o risco de hepatotoxicidade grave com riluzol; portanto, o consumo excessivo por parte dos pacientes em tratamento deve ser desestimulado. Também deve ser informado que riluzol deve ser armazenado à temperatura entre 20°C-25°C (68°F-77°F) e protegido da luz. Riluzol deve ser mantido fora do alcance das crianças. Exames de laboratório: recomenda-se avaliar as aminotransferases no soro, incluindo os níveis de alanina aminotransferase, antes e durante a terapia com riluzol. Os níveis de alanina aminotransferase no soro devem ser avaliados mensalmente durante os primeiros três meses de tratamento, cada três meses durante o restante do primeiro ano e periodicamente a partir do término do primeiro ano. Os níveis de alanina aminotransferase no soro devem ser avaliados com maior frequência em pacientes que apresentam elevações (vide Precauções advertências). Como pode ser observado em Precauções advertências não existe experiência com o tratamento contínuo de pacientes, uma vez que a alanina-aminotransferase excedeu 5 vezes o valor-limite normal. Caso se decida continuar tratando estes pacientes recomenda-se uma monitoração frequente (pelo menos semanal) das funções completas do fígado. O tratamento deve ser descontinuado se a alanina aminotransferase exceder 10 vezes o valor-limite normal ou caso ocorra manifestação de icterícia clínica. Por não existir experiência com um novo tratamento em pacientes que interromperam riluzol devido à alanina aminotransferase > 5 vezes o valor-limite normal, não pode ser efetuada nenhuma recomendação sobre um reinício do tratamento com riluzol. Nos dois ensaios controlados em pacientes com ELA, a frequência com que os valores das contagens para hemoglobina, hematócrito e eritrócitos decresceram abaixo do limite inferior normal foi maior em pacientes tratados com riluzol que nos tratados com placebo; no entanto, essas alterações foram leves e transitórias. As proporções de pacientes observados com valores anormalmente baixos para esses parâmetros demonstraram uma relação dose-dependente. O tratamento foi interrompido somente em um paciente, devido a uma anemia severa. Desconhece-se o significado desse fato.

Interações

Não foram realizados estudos clínicos para avaliar as interações de riluzol com outros fármacos. Como com todos os fármacos existe a possibilidade e o potencial para interação, mediante uma variedade de mecanismos. Fármacos hepatotóxicos: os ensaios clínicos em ELA excluíram pacientes que se encontravam com medicações concomitantes, potencialmente hepatotóxicas (por exemplo: alopurinol, metildopa, sulfasalazina). Em consequência, não existe informação sobre a segurança de administrar riluzol concomitantemente com tais medicações. Caso o profissional decida receitar tal combinação, deve fazê-lo com muita cautela. Fármacos altamente ligados a proteínas plasmáticas: riluzol liga-se amplamente às proteínas no plasma (96%), principalmente com albumina no soro e lipoproteínas. O efeito do riluzol (até 5 mg/ml) não demonstrou deslocamento de varfarina. Inversamente a ligação de riluzol não foi afetada pela adição de varfarina, digoxina, imipramina e quinina em concentrações terapêuticas elevadas. Efeitos de outros fármacos sobre o metabolismo de riluzol: os estudos in vitro, utilizando preparados microssomiais do fígado humano sugerem que CYP 1A2 é a principal isoenzima envolvida no metabolismo oxidativo inicial do riluzol e, portanto, podem ocorrer interações potenciais quando riluzol é administrado concomitantemente com substâncias que afetam a atividade de CYP 1A2. Os potenciais inibidores de CYP 1A2 (por exemplo, cafeína, fenacetina, teofilina, amitriptilina e quinolonas) poderiam reduzir o nível de eliminação do riluzol, enquanto os indutores de CYP 1A2 (por exemplo, fumaça de cigarro, alimentação cozida sobre carvão, rifampicina e omeprazol) podem incrementar o nível de eliminação do riluzol. Efeito do riluzol sobre o metabolismo de outros fármacos: CYP 1A2 é a principal isoenzima envolvida no metabolismo oxidativo do riluzol; podem apresentar-se interações potenciais quando riluzol é administrado concomitantemente com outras substâncias que também são metabolizadas principalmente com CYP 1A2 (por exemplo, teofilina, cafeína, tacrina). Atualmente, desconhece-se se riluzol potencializa a indução de enzimas no ser humano. Interação nos exames de laboratório do fármaco: não são conhecidas. Carcinogênese, mutagênese, deterioração da fertilidade. Ainda não foram completados os estudos a longo prazo para determinar o potencial carcinogênico do riluzol. O potencial mutagênico do riluzol foi avaliado em um teste de mutagenicidade microbiana (AMES), no ensaio de mutação de linfoma em camundongos em células L5178Y, no ensaio citogenético em ratos in vivo e no ensaio de micronúcleo do camundongo na medula óssea. Não foi manifestada evidência de potencial mutagênico ou clastogênico na prova de AMES, no ensaio de linfoma em camundongo ou nos ensaios in vivo em camundongos e em ratos. Houve uma resposta clastogênica equívoca no ensaio de aberração cromossômica de linfócitos in vitro. Riluzol produziu deterioração da fertilidade quando administrado em ratos macho e fêmea antes e durante o acasalamento, em uma dose oral de 15 mg/kg ou 1,5 vez a dose máxima diária sobre uma base de mg/m2 (vide Precauções Gravidez por efeito sobre a fertilidade). Gravidez. Gravidez categoria C: a administração oral de riluzol em animais prenhes durante o período de organogênese provocou embriotoxicidade em ratos e coelhos com uma dose de 27 mg/kg e 60 mg/kg, respectivamente, ou 2,6 e 11,5 vezes, respectivamente, a dose máxima diária humana recomendada em base de mg/m2. Também foram observadas evidências de toxicidade materna a essas doses. Quando foi administrado em ratos, antes e durante o acasalamento (machos e fêmeas) e ao longo da gestação e durante a lactação (fêmeas), riluzol provocou efeitos adversos na prenhez (menos implantações, maior índice de morte intrauterina), na viabilidade e no crescimento da cria com uma dose oral de 15 mg/kg ou 1,5 vez a dose diária máxima sobre a base de mg/m2. Não existem estudos adequados e bem controlados em mulheres grávidas. Riluzol deve ser utilizado durante a gravidez, somente se o benefício potencial justificar o risco potencial para o feto. Lactação: em estudos com ratos detectou-se 14C-riluzol no leite materno. Desconhece-se se riluzol é excretado no leite humano. Como muitos fármacos são excretados no leite materno e o potencial de riluzol quanto a reações adversas graves em lactentes é desconhecido, deve-se advertir as mulheres que não amamentem durante o tratamento com riluzol. Uso em pessoas de idade avançada: a função hepática e renal comprometida por causa da idade pode provocar uma diminuição no clearance de riluzol (vide Propriedades Populações especiais). Em ensaios clínicos controlados aproximadamente 30% dos pacientes eram pessoas com mais de 65 anos. Não foram observadas diferenças nos efeitos adversos entre os pacientes mais jovens e os de idade avançada. Uso pediátrico: a eficácia e a segurança de riluzol em pacientes pediátricos não foram estabelecidas.

Contraindicações

Riluzol é contraindicado em pacientes com antecedentes de hipersensibilidade grave ao riluzol ou a algum dos componentes da fórmula.

Remédio que contêm Riluzol