SEVOFLURANO Informações da substância

Ações terapêuticas

Anestésico inalatório.

Propriedades

Trata-se de um agente anestésico líquido não-inflamável que é administrado por vaporização. Quimicamente é um derivado fluorado do metil isopropil éter, que induz uma perda de consciência suave e rápida durante a indução inalatória e uma rápida recuperação após a interrupção de sua administração. A indução desenvolve-se com um mínimo de excitação ou signos de irritação respiratória, sem evidências de hipersecreção traqueobrônquica e estimulação do sistema nervoso central. Da mesma forma que com outros anestésicos, o sevoflurano reduz a função respiratória e a pressão arterial em forma dose-dependente; não obstante, possui mínimos efeitos sobre a pressão intracraniana (PIC) e preserva a resposta ao CO2. Não afeta as funções renais, mesmo após exposição prolongada à anestesia (9 horas). Estudos pré-clínicos demostraram que o sevoflurano não reduz a perfusão do miocárdio nem os níveis de fluxo sanguíneo em fígado, rim e cérebro. Em estudos clínicos observou-se que o limiar arritmogênico do sevoflurano induzido pela adrenalina é comparável ao do isoflurano e que a incidência de isquemia ou infarto do miocárdio em pacientes de risco foi comparável entre sevoflurano e isoflurano. Como o sevoflurano apresenta uma baixa solubilidade no sangue, estima-se que as concentrações alveolares poderiam aumentar rapidamente durante a indução e rapidamente baixariam após interrupção de sua administração. Uma quantidade mínima de sevoflurano que chega ao sangue é metabolizada através do citocromo P450, dando origem a hexaflurisopropanol (HFIP), fluoreto inorgânico e dióxido de carbono. O metabólito HFIP é rapidamente conjugado com ácido glicurônico e eliminado por via urinária.

Indicações

Indução e manutenção da anestesia geral em cirurgias de pacientes ambulatoriais ou hospitalizados.

Posologia

A pré-medicação deve ser selecionada de acordo com a necessidade de cada paciente, de modo individualizado e a critério do anestesiologista. A dose para a indução anestésica deve ser administrada e graduada até atingir o efeito desejado de acordo com a idade do paciente e seu estado clínico. Em geral, concentrações inspiradas de mais de 8% de sevoflurano produzem anestesia cirúrgica em menos de dois minutos em adultos e crianças. A indução deve ser atingida em oxigênio ou em combinação com uma mistura de óxido nitroso oxigenado. Um barbitúrico de ação curta ou outro agente de indução pode ser administrado previamente à inalação de sevoflurano. Os níveis cirúrgicos de anestesia podem ser mantidos com concentrações de 0,5% a 3% de sevoflurano, com ou sem o uso concomitante de óxido nitroso. O tempo de recuperação é geralmente curto.

Superdosagem

Em caso de superdosagem, recomenda-se suspender a administração da droga, permeabilizar a via aérea e iniciar uma ventilação assistida e controlada com oxigênio e manter uma adequada função cardiovascular.

Reações adversas

As principais reações adversas compreendem depressão cardiorrespiratória dose-dependente, náuseas, vômitos, hipotensão e bradicardia. Outros efeitos colaterais menos frequentes são agitação, sonolência, calafrios, vertigem, aumento da salivação, distúrbios respiratórios, hipertensão, taquicardia, febre, aumento transitório da glicemia, dos níveis de flúor inorgânico e da contagem de glóbulos brancos.

Precauções

Caso ocorra hipotensão importante, recomenda-se corrigir a concentração de sevoflurano inspirada. Aconselha-se controlar a estabilidade da hemodinâmica para evitar isquemia do miocárdio em pacientes com doença coronariana. Em função da falta de estudos clínicos suficientes, recomenda-se administrar com precaução a pacientes com insuficiência renal (creatinina sérica superior a 1,5 mg/dl) ou com risco de hipertensão intracraniana e, caso seja necessário, instaurar manobras de redução dessa hipertensão, como hiperventilação. Recomenda-se informar o paciente sobre a possibilidade de ocorrência de pequenas alterações no estado de ânimo e alguns outros sintomas que podem persistir durante vários dias após a anestesia. Os pacientes devem ser alertados de que a realização de certas atividades que requeiram agilidade mental, tais como dirigir veículos motorizados ou operar maquinaria perigosa, pode estar comprometida durante algum tempo posteriormente à anestesia geral. Sua utilização durante a gravidez e como anestésico durante a cesárea deverá ser feita apenas em casos de extrema necessidade. Não administrar a mulheres durante o período de amamentação. Levar em consideração que a concentração média de sevoflurano para alcançar-se uma CAM em uma pessoa de 80 anos de idade é aproximadamente 50% do necessário para uma pessoa de 20 anos de idade. A anestesia com sevoflurano pode ocasionar um estado hipermetabólico do musculoesquelético em indivíduos suscetíveis de maior demanda de oxigênio e a síndrome clínica conhecida como hipertermia maligna. Os sintomas mais frequentemente observados são hipercapnia, rigidez muscular, taquicardia, taquipneia, cianose, arritmias e/ou pressão arterial instável. O tratamento da hipertermia maligna compreende a imediata suspensão dos agentes causais, administração de dantroleno sódico por via intravenosa, aplicação de terapia de suporte e controle da função renal. Até o momento, não foram realizados estudos controlados que indiquem o efeito de sevoflurano sobre a reprodução, mutagênese e teratogênese.

Interações

O sevoflurano não apresenta interações significativas com a maioria dos fármacos utilizados em situações cirúrgicas, tais como agentes de ação sobre o sistema nervoso central, fármacos de ação autonômica, miorrelaxantes musculares, antibióticos, hormônios e substitutos sintéticos, derivados do sangue e fármacos de ação no sistema cardiovascular. A administração de sevoflurano é compatível com barbitúricos, benzodiazepínicos e opioides. A concentração alveolar mínima (CAM) de sevoflurano diminui quando administrado em combinação com óxido nitroso; a redução é de aproximadamente 50% em adultos e 25% em pacientes pediátricos. O sevoflurano modifica a intensidade e a duração do bloqueio neuromuscular produzido por relaxantes musculares não despolarizantes. O uso de sevoflurano para suplementar a anestesia com alfentanil-N2O potencializa o bloqueio neuromuscular induzido com pancurônio, vecurônio ou atracúrio; recomenda-se realizar um ajuste da dose do relaxante muscular. O efeito do sevoflurano com succinil-colina e a duração do bloqueio muscular despolarizante não foram estudados. A diminuição da dose de agentes bloqueadores neuromusculares durante a indução da anestesia pode resultar em demora das condições para intubação traqueal ou inadequado relaxamento muscular devido a que a potencialização do agente curarizante é observada poucos minutos após o início da administração de sevoflurano. Na ausência de guias específicas para a intubação endotraqueal, recomenda-se não reduzir a dose do relaxante muscular não despolarizante, ao passo que durante a fase de manutenção da anestesia a dose de miorrelaxantes não despolarizantes pode ser reduzida em comparação com as doses empregadas durante a anestesia N2O/opioide. Recomenda-se não indicar doses suplementares do curarizante segundo a resposta de estimulação nervosa.

Contraindicações

Pacientes com hipersensibilidade ao fármaco ou outros agentes halogenados e aqueles pacientes com suscetibilidade genética suspeita ou conhecida a hipertermia maligna.

Remédio que contêm Sevoflurano