TOLFENâMICO, áCIDO Informações da substância

Ações terapêuticas

Analgésico. Anti-inflamatório não esteroidal.

Propriedades

Trata-se de um derivado do ácido antranílico que pertence ao grupo dos AINE (anti-inflamatórios não esteroidais). Possui ação anti-inflamatória, analgésica e antipirética. Em modelos animais, sua administração demonstrou ação inibitória sobre edemas e eritemas e redução de dor e hipertermia. O resultado de estudos clínicos e experimentais deu suporte ao papel das prostaglandinas, e provavelmente também dos leucotrienos, na patogênese da enxaqueca. As prostaglandinas são capazes de sensibilizar os nociceptores e produzir hiperalgesia. A vasodilatação, o edema e a hiperalgesia que caracterizam a enfermidade enxaquecosa têm muito em comum com um processo inflamatório. O ácido tolfenâmico, que inibe a biossíntese de prostaglandinas e tem um efeito antiagregante plaquetário, demonstrou ser mais eficaz do que o ácido acetilsalicílico e tão eficaz como a ergotamina no tratamento de crises de enxaqueca. No tratamento preventivo da enxaqueca, mostrou ser tão efetiva quanto o propranolol.

Indicações

Enxaqueca. Dismenorreia.

Posologia

Nas crises de enxaqueca: 200 mg no início; caso necessário, esta dose pode ser repetida 1 ou 2 horas depois. Dismenorreia: 200 mg 3 vezes ao dia, a partir do início dos primeiros sintomas da menstruação. O tratamento deve continuar durante os 4 dias seguintes.

Reações adversas

O ácido tolfenâmico é habitualmente bem tolerado, porém os seguintes efeitos adversos foram relatados: aparelho digestório: dores abdominais, dispepsia, náuseas, vômitos e diarreia. Reações cutâneas: exantemas e prurido que desaparecem com a suspensão do tratamento. Aparelho genito-urinário: alguns pacientes (essencialmente homens) relataram no início do tratamento uma discreta disúria matinal que desapareceu após algum tempo sem necessidade de interrupção do tratamento. Trata-se de uma irritação local da uretra relacionada com a concentração na urina de um dos metabólitos principais. Esta sintomatologia pode ser atenuada e inclusive eliminada diminuindo o consumo de líquidos ou reduzindo a dose do medicamento. De modo idêntico ao restante dos AINEs, relataram-se também: SNC: cefaleia, vertigens, fadiga. Fígado: raramente aumento das transaminases, de curta duração e sempre reversível. Hepatite. Sangue: muito raramente, trombocitopenia, leucopenia e anemia.

Precauções

Efeitos gastrintestinais. O tratamento crônico com AINEs pode causar, com ou sem sintomas prévios, toxicidade gastrintestinal importante (p.ex. ulceração, hemorragia). Os pacientes idosos ou debilitados parecem ser mais suscetíveis à aparição de úlceras ou hemorragias do que indivíduos em outras faixas etárias. Efeitos hepáticos: durante o tratamento com distintos AINE foram relatadas elevações das enzimas hepáticas que podem desaparecer, permanecer sem alterações, ou agravar-se durante a terapia. Além disto, entre os casos de elevações das enzimas observadas nos ensaios clínicos, foram comunicados casos raros de reações hepáticas graves durante o tratamento com AINE, incluindo icterícia e hepatite fulminante fatal. Efeitos renais: relataram-se casos de nefrite intersticial aguda com hematúria, proteinúria e ocasionalmente síndrome nefrótica em associação com a administração de AINE. Uma segunda forma de toxicidade renal foi observada em pacientes com condições que favoreciam uma redução do fluxo sanguíneo renal ou do volume sanguíneo, onde as prostaglandinas renais exercem um efeito de suporte no manutenção da perfusão renal. Nestes pacientes, a administração de um AINE pode precipitar uma descompensação renal. Os pacientes mais expostos a esta reação são aqueles que apresentam deterioração da função renal, insuficiência cardíaca, disfunção hepática, os que tomam diuréticos e os de idade avançada. Deve considerar-se a diminuição da dose em pacientes com diminuição da função renal, os quais deverão ser monitorados cuidadosamente como com qualquer AINE. Efeitos hematológicos: devem efetuar-se controles dos testes de coagulação em pacientes com alterações da mesma, bem como estudos hematológicos periódicos nos tratamentos excepcionalmente prolongados.

Interações

Trata-se de um fármaco de alta ligação com proteínas plasmáticas e, portanto, com potencial para deslocar outras substâncias unidas em alta proporção às mesmas. Em função desta propriedade, é necessária uma monitoração médica cuidadosa com relação aos requisitos posológicos de outros fármacos que apresentam alto coeficiente de ligação proteica quando são administrados concomitantemente. As seguintes interações foram encontradas com a administração de anti-inflamatórios não-esteroidais associados a: outros AINEs, ácido acetilsalicílico, ticlopidina e glicocorticoides: aumento do risco de úlcera e hemorragia gastrintestinal. Anticoagulantes orais (cumarínicos) e heparina: aumento do risco de hemorragias por inibição da função plaquetária. Se não for possível evitar a associação, deverão ser realizados controles rigorosos dos tempos de sangramento, protrombina e tromboplastina. Lítio: aumento da litemia por diminuição da eliminação renal, podendo alcançar valores tóxicos. Metotrexato: aumento da toxicidade hematológica do metotrexato por diminuição de sua eliminação renal. Diuréticos: risco de insuficiência renal aguda em pacientes desidratados por diminuição da filtração glomerular, consequente a uma diminuição da síntese de prostaglandinas renais. Zidovudina: risco de toxicidade sobre a série vermelha (ação sobre os reticulócitos), provocando uma anemia grave 8 dias após a introdução do AINE. Controlar com hemograma, hematócrito e porcentagem de reticulócitos 8 a 15 dias após o início do tratamento com o AINE. Pentoxifilina e trombolíticos: aumento do risco de hemorragias. Anti-hipertensivos (betabloqueadores, inibidores da enzima de conversão [ECA], diuréticos): redução do efeito anti-hipertensivo por inibição das prostaglandinas vasodilatadoras pelo AINE.

Contraindicações

Úlcera gastroduodenal e hemorragia gastrintestinal ativa. Pacientes com antecedentes de hipersensibilidade ao ácido tolfenâmico ou a outros fármacos inibidores da síntese de prostaglandinas, broncospasmo, urticária ou outras reações de tipo alérgico com o emprego de ácido acetilsalicílico ou outros anti-inflamatórios não-esteroidais (AINEs). Insuficiência cardíaca, renal e/ou hepática graves. Gravidez e amamentação.