TOPOTECANA Informações da substância

Ações terapêuticas

Antineoplásico.

Propriedades

É um derivado semissintético da camptotecina, fármaco antitumoral com atividade inibitória da topoisomerase I. Essa libera a torção da cadeia do ácido desoxirribonucleico (DNA), o que produz rupturas reversíveis em uma única das cadeias que compõem a dupla hélice. A topotecana une-se ao complexo formado pela topoisonerase e o DNA, para obstruir a religação da hemicadeia clivada. Durante a síntese do DNA, as enzimas replicativas interagem com o complexo formado pela topotecana, a topoisomerase I e o DNA, o que favorece a ruptura das duas cadeias. Seu efeito citotóxico seria devido à reparação ineficiente da lesão produzida na dupla cadeia do DNA. Após administração intravenosa, a meia-vida é de 2-3 horas, sendo que 35% da dose une-se a proteínas plasmáticas. Um de seus metabólitos (lactona) é farmacologicamente ativo. Cerca de 30% da dose administrada é eliminada pela urina, que é sua principal via de eliminação. Estudos realizados em pacientes com insuficiência renal de graus leve e moderada demonstraram que a eliminação da topotecana diminui significativamente e sua meia-vida aumenta até 5 horas, por isso é necessário ajustar a dose para esses pacientes. Pelo contrário, na insuficiência hepática não é necessário modificar as doses. O limite de atuação se relaciona com o surgimento de leucopenia. A contagem de células leucocitárias diminui de 80% a 90% nos pacientes submetidos ao primeiro ciclo de tratamento com topotecana 1,5 mg/m2 por dia durante 5 dias consecutivos.

Indicações

Carcinoma metastático de ovário após fracasso de quimioterápico inicial ou subsequente.

Posologia

Adultos: infusão intravenosa, 1,5 mg/m2 durante 30 minutos por dia durante 5 dias consecutivos; o dia 1 marca o início de um ciclo de 21 dias. Recomenda-se um mínimo de 4 ciclos (tempo médio de resposta: 9 a 12 semanas). Antes da administração, os pacientes deverão apresentar contagem basal de neutrófilos > 1.500 células/mm3 e contagem plaquetária > 100.000 células/m3. Pacientes com insuficiência renal moderada: 0,75 mg/m2 durante 30 minutos por dia durante 5 dias consecutivos; o dia 1 marca o início de um ciclo de 21 dias.

Superdosagem

A superdose provoca mielotoxicidade. Não se conhecem antídotos para esse medicamento.

Reações adversas

As mais comuns são: neutropenia, leucopenia moderada a severa, trombocitopenia, anemia, infecções associadas com a neutropenia, náuseas, vômitos, diarreia ou constipação, dores abdominais, estomatite, anorexia, fadiga, febre, astenia, cefaleia, dispneia, aumento transitório dos níveis plasmáticos de enzimas hepáticas (GOT e GPT) e alopécia total.

Precauções

Devem realizar-se controles hematológicos periódicos; não se recomenda reiniciar um novo ciclo antes de os pacientes recuperarem níveis de hemoglobina de 9 mg/dl e contagens de neutrófilos > 1.000 células/mm3 e de plaquetas > 100.000 células/mm3. Pode causar dano fetal, portanto deve-se evitar sua administração durante a gravidez, devendo advertir-se as mulheres férteis sob tratamento com esse fármaco para que evitem a gravidez. Estudos realizados em coelhos indicaram que a administração de doses de 1 mg/kg por dia desde o dia 6 até o dia 20 da gestação provoca toxicidade materna, morte do embrião e peso fetal reduzido. Em ratas, uma dose de 0,23 mg/kg por dia durante 14 dias antes da cobertura até o sexto dia após fecundação causou reabsorção fetal, perda do feto pré-implante, toxicidade materna leve e microftalmia, enquanto uma dose de 0,1 mg/kg por dia administrada a ratas desde o dia 6 até o dia 17 da gestação causou elevada mortalidade pós-implantação e malformações fetais principalmente nos olhos (microftalmia, anoftalmia, formação de rosetas na retina, órbita ectópica) e no cérebro (terceiro ventrículo e ventrículo lateral dilatados), crânio e vértebras.

Interações

Não foram estudadas.

Contraindicações

Hipersensibilidade ao topotecano. Gravidez e lactação. Hemopatias graves.

Remédio que contêm Topotecana