TRASTUZUMABE Informações da substância

Ações terapêuticas

Antineoplásico.

Propriedades

É um anticorpo monoclonal humanizado obtido por engenharia genética e dirigido de forma seletiva contra o domínio extracelular da proteína do receptor 2 do fator de crescimento epidérmico humano (HER2). Este anticorpo é uma IgG1 que contém regiões estruturais humanas com as regiões determinantes de complementaridade de um anticorpo anti-p185-HER2 murino, que se fixa ao receptor HER2. O proto-oncogene HER2 ou c-erbB2 codifica uma única proteína transmembrana de 185.000 D de tipo receptor, aparentada estruturalmente com o receptor para o fator de crescimento epidérmico. Em cerca de 25% a 30% dos cânceres primários de mama descreveu-se amplificação de gene HER2, com conseqüente aumento da expressão da proteína HER2 na superfície das células tumorais, o que se traduz por um receptor HER2 ativado constitutivamente. Os estudos indicam que os pacientes cujos tumores apresentam uma amplificação ou uma hiperexpressão de HER2 têm uma sobrevida livre da doença mais curta do que aqueles com tumores sem aplicações ou hiperexpressão de HER2. Tanto nos estudos in vitro como em experimentação animal, comprovou-se que o trastuzumabe inibe a proliferação das células tumorais humanas com hiperexpressão de HER2. Demonstrou-se in vitro que a citotoxicidade celular dependente de anticorpos (CCDA) mediada pelo trastuzumab afeta mais as células tumorais com hiper-expressão de HER2 do que as células cancerosas com expressão normal desta proteína. A natureza dose-dependente da farmacocinética foi demostrada em infusão intravenosa de curta duração de 10 mg, 50 mg, 100 mg, 250 mg ou 500 mg de trastuzumabe, uma vez por semana. Ao aumentar as doses a meia-vida média também aumentava, e a depuração diminuía. Nos ensaios clínicos em que se administrou uma dose de ataque de 4 mg/kg, seguida de uma dose semanal de manutenção de 2 mg/kg, a meia-vida média foi de 5,8 dias (intervalo = 1 a 32 dias). Entre a 16ª e a 32ª semana, as concentrações séricas de trastuzumabe alcançaram o estado de equilíbrio, com uma concentração mínima da ordem de 79 mg/ml e uma concentração máxima em torno de 123 mg/ml.

Indicações

Câncer de mama metastático com hiperexpressão da proteína HER2: a) em monoterapia para o tratamento de pacientes que tenham recebido um ou mais cursos de quimioterapia prévios para sua enfermidade metastática; b) em politerapia com paclitaxel para o tratamento de pacientes sem quimioterapia prévia para sua enfermidade metastática.

Posologia

Dose de ataque: 4 mg/kg em infusão intravenosa, durante 90 minutos. Caso se apresentem febre, calafrios ou outros sintomas relacionados com a infusão, esta deve ser interrompida e retomada logo após o desaparecimento dos sintomas. Dose de manutenção: uma dose semanal de 2 mg/kg em infusão intravenosa durante 30 minutos. Não se deve administrar em injeção intravenosa rápida ou em bolo.

Superdosagem

Não foi relatado nenhum caso de superdose.

Reações adversas

As seguintes reações adversas apresentaram-se em ≥ 5%. Gerais: dores abdominais, dores nas costas, no peito, no pescoço; calafrios, febre, síndrome gripal, cefaleia, edemas periféricos, enjoos. Digestivos: anorexia, prisão de ventre, diarreia, dispepsia, flutulência, náuseas e vômitos. Aparelho locomotor: artralgia, mialgia. Sistema nervoso: ansiedade, depressão, enjoos, insônia, parestesias, sonolência. Aparelho respiratório: asma, aumento da tosse, dispneia, epistaxe, derrame pleural, faringite, rinite, sinusite. Pele: prurido, vermelhidão. Durante a primeira infusão, cerca de 40% dos pacientes podem manisfestar calafrios, febre, ou ambos, com intensidade moderada. Em casos isolados descreveram-se reações anafilactóides. Observou-se insuficiência cardíaca em 5% dos pacientes tratados. A toxicidade hematológica é pouco freqüente quando feita a monoterapia; observaram-se leucopenia, trombocitopenia e anemia em < 1% dos pacientes. Toxicidade hepática e renal: tem ocorrido toxicidade hepática em cerca de 12% dos pacientes; foi associado com progressão da enfermidade hepática em cerca de 60% destes pacientes. Não foi detectada toxicidade renal.

Precauções

O tratamento deve ser iniciado sempre sob a supervisão de um médico com experiência em tratamentos oncológicos. Nas pacientes com câncer de mama tratadas foram observados sinais e sintomas de insuficiência cardíaca como dispneia, tosse, dispneia paroxística noturna, edema de extremidades, ritmo de galope (R3) ou diminuição da fração de ejeção. Durante o tratamento deve-se avaliar a função ventricular esquerda e, caso haja diminuição importante, deve-se considerar seriamente a possibilidade de suspender o tratamento. Não se sabe se pode causar dano fetal caso seja administrado a mulheres grávidas ou se pode afetar a capacidade reprodutiva. Dado que os estudos de reprodução animal nem sempre têm valor prognóstico quanto à resposta no ser humano, deve ser evitado o uso do trastuzumabe durante a gravidez, salvo se os benefícios esperados para a mãe superem os riscos potenciais para o feto. Não se sabe se o trastuzumabe passa para o leite humano; assim, deve-se evitar a amamentação durante o tratamento.

Interações

Não foram realizados estudos de interações medicamentosas no ser humano e não foram observadas interações clinicamente significativas com a medicação simultânea utilizada nos ensaios clínicos.

Contraindicações

Hipersensibilidade ao trastuzumabe.

Remédio que contêm Trastuzumabe