TROVAFLOXACINO Informações da substância

Ações terapêuticas

Antibiótico bactericida quinolônico.

Propriedades

Trata-se de uma quinolona fluorada de nova geração, que demonstra notável atividade antimicrobiana sobre uma ampla variedade de microrganismos Gram-positivos e Gram-negativos. Pseudomonas aeruginosa, anaeróbios etc. Como todos os demais quinolônicos (norfloxacino, ciprofloxacino, ofloxacino, levofloxacino, fleroxacino), o trovafloxacino atua intracelularmente, inibindo a subunidade A da DNA-girase (tipoisomerase II), que é a enzima necesária para o desenrolamento do DNA bacteriano. Quimicamente, o que diferencia de outros agentes quinolônicos é a presença de um núcleo 1,8-naftiridínico em sua estrutura molecular. Existem dois sais diferentes: o mesilato de trovafloxacino, destinado à administração oral em forma de comprimidos, e o mesilato de alatrovafloxacino, para uso parenteral (IV) exclusivo. Este último sal é uma pró-droga que, após sua aplicação intravenosa, é rapidamente hidrolisado e transformado em trovafloxacino. O espectro antimicrobiano deste moderno quinolônico fluorado é bastante amplo, pois alcança a maioria dos patógenos, tanto intracelulares como extracelulares Gram-positivos, Gram-negativos, microrganismos atípicos (Mycoplasma pneumoniae, Chlamidia pneumoniae, Legionella pneumophila), Pseudomonas aeruginosa, microrganismos anaeróbicos (Bacteroides fragilis, Peptostreptococcus), Haemophilus influezae, Staphylococcus aureus, Escherichia Coli, Neisseria gonorrhoeae, Proteus mirabilis, Enterococcus faecalis. O trovafloxacino é rápido e amplamente absorvido após sua administração oral, alcançando elevada biodisponibilidade (88%) que não é afetado pela ingestão concomitante de alimentos. Isso faz com que sua ingestão possa ser feita sem levar em consideração as refeições. Após a administração de 200 mg por via oral, aos 60 minutos são alcançadas elevadas concentrações séricas e uma ampla distribuição em diferentes líquidos (bile, urina) e tecidos (pulmão, fígado, rim). A união a proteínas plasmáticas é de aproximadamente 76%, sendo independente da concentração sérica. O principal mecanismo de biotransformação metabólica é sua conjugação, na qual o citocromo P450 tem participação discreta ou nula. Cerca de 13% da dose administrada aparecem na urina (na forma de éster glicurônico) e 9% nas fezes (na forma de metabólito N-acetilado), além de outros metabólitos menores (menos que 4% da dose administrada). Aproximadamente 50% da dose oral é eliminada de forma inalterada (43% por via fecal e 6% pela urina). Estas características não são modificadas em pacientes idosos, de sexos diferentes ou em pacientes com insuficiência renal (depuração de creatinina inferior a 20 ml/min.), sob hemodiálise ou com distúrbios hepáticos.

Indicações

Infecções em diferentes localizações e intensidade causadas por microrganismos suscetíveis. Pneumonia hospitalar ou da comunidade, exacerbação bacteriana da bronquite crônica, sinusite, infecções pós-cirúrgicas, intra-abdominais, ginecológicas, gonorreia, prostatite, infecções da pele e de tecidos moles.

Posologia

A dose média recomendada é de 200 mg por via oral administrados em dose única diária, sendo a duração do tratamento de 7 a 14 dias, conforme a patologia e a localização da infecção. Em casos de sepsis graves por P. aeruginosa, pode realizar-se um tratamento combinado com um aminoglicosídeo ou com aztreonam. A forma injetável intravenosa (IV) deve ser aplicada de modo lento (durante 60 minutos), evitando a aplicação direta em bolo ou sua administração juntamente com outras substâncias intravenosas (cloreto de sódio, ou Ringer-lactato). Aconselha-se empregar solução dextrosada a 5% para a aplicação IV de 200 mg a 300 mg diários (1 a 2 mg/ml). Em algumas patologias (pneumonia hospitalar, infecções pós-cirúrgicas intra-abdominais), aconselha-se iniciar o tratamento com 300 mg IV seguidos de 200 mg por via oral durante 7 a 14 dias. Em profilaxia cirúrgica, cirurgia colorretal eletiva etc. podem empregar-se 200 mg por via IV ou oral. Na prostatite bacteriana crônica usam-se 200 mg por via oral durante 28 dias, ao passo que na cervicite por Chlamidia trachomatis a dose é a mesma, porém durante 5 dias. Não se requer ajuste posológico para pacientes com alterações da função renal, visto que a eliminação preferencial do trovafloxacino é biliar.

Superdosagem

Em caso de superdose oral aguda deve-se proceder ao esvaziamento gástrico (lavagem gástrica, indução de vômito), medidas básicas de suporte hemodinâmico e hidreletrolítico, oxigenoterapia, aminas vasoativas, hidratação hidrossalina. Esta quinolona fluorada não é removida eficientemente por meio de hemodiálise.

Reações adversas

O trovafloxacino mostrou muito boa tolerância clínica, já que apenas em cerca de 5% dos pacientes foram descritos efeitos adversos de intensidade moderada relacionados com o fármaco. Em mais de 90% estas reações indesejáveis foram de caráter leve, assinalando-se principalmente enjoos (2,4%), náuseas (1,9%), cefaleias (1,1%) e vômitos (1%). Em pacientes idosos a incidência de enjôos e obnubilação foi de 3,1% e 0,6%, respectivamente. A possibilidade de causar fototoxicidade é baixa (menos de 0,03%), assim como fenômenos flogógenos no sítio de aplicação (dor, inflamação, edema). Em menos de 1% dos pacientes tratados relataram-se outros efeitos, possivelmente relacionados com fármaco: dor precordial, taquicardia, hipertensão arterial, palpitações, rubor, confusão, parestesias, discinesia, ataxia, convulsões, tremores, vertigem, disartria, ansiedade, anorexia, euforia, sonolência-insônia. Em nível gastrintestinal: dispepsia, colite, disfagia, constipação-diarreia, gastrite. Em nível cutâneo-mucoso: estomatite, dermatite, prurido, gengivite, angioedema, fotossensibilidade e esfoliação da pele. Em exames de laboratório, sem consideração com o fármaco, detectaram-se em ≥1% dos pacientes tratados: leucopenia, eosinofilia, aumento das transaminases e da fosfatase alcalina, redução da hemoglobina, hipoproteinemia, hiponatremia, aumento das concentrações de ureia e creatinina circulantes. A incidência das anomalias hepáticas foram as mesmas que aquelas observadas com outros quinolônicos, sendo detectadas também ao término do tratamento planejado de 28 dias para pacientes com prostatite bacteriana crônica. No período pós-lançamento, com o uso da trovafloxacina registrou-se ocorrência de anafilaxia, hepatite e pancreatite sintomática, eosinofilia periférica e síndrome de Stevens-Johnson. Todas estas manifestações retornaram a seus valores normais 30 a 60 dias após interrupção do tratamento.

Precauções

Em decorrência do relato de sintomas neurológicos com o emprego de quinolônicos (convulsões, tremores, alucinações, confusão, obnubilação), a administração de trovafloxacino ou alafloxacino deve ser feita com precaução em pacientes epilépticos arterioscleróticos cerebrais, ou com patologias do SNC. Caso haja ocorrência de rash cutâneo, hipersensibilidade (urticária, broncospasmo, dispneia, angioedema, febre, artralgias, pruridos), a administração do fármaco deve ser imediatamente suspensa. Como ocorre com outros quinolônicos, o trovafloxacino provou artropatia ou condrodisplasia em ratos e cães jovens, embora seja desconhecida a importância destes achados na espécie humana. A colite pseudomembranosa informada com o uso de numerosos antibióticos também foi comunicada com relação ao uso do trovafloxacino, sendo por estão razão que ela deve ser considerada em pacientes que apresentem diarreia durante o tratamento, da mesma forma que o desenvolvimento exagerado de Clostridium difficile. A rotura de tendões (tendões de mão, ombros, Aquiles) foi informada em pacientes sob tratamento com quinolonas, sendo por esta razão que na ocorrência de dor, tendinite ou inflamação articular o tratamento deve ser suspenso. Não foram realizados estudos de longa duração em animais quanto aos fenômenos de carcinogênese e em grávidas a respeito de teratogênese ou embriotoxicidade.

Interações

A administração simultânea de antiácidos que contenham sais de alumínio, magnésio, sucralfato, derivados ferrosos, bem como a aplicação IV de morfina, reduzem significativamente a biodisponibilidade do trovafloxacino. Não foram observadas interações farmacocinéticas com cimetidina, digoxina, teofilina, varfarina e ciclosporina. Observaram-se interações farmacológicas menores (sem importância clínica) no caso de administração conjunta de trovafloxacino com cafeína, omeprazol e carbonato de cálcio. A alatrovafloxacino não deverá ser administrada em soluções que contenham cátions polivalentes através da mesma via intravenosa.

Contraindicações

Menores de 18 anos, gravidez, lactação. Hipersensibilidade aos quinolônicos; patoogias convulsivantes do SNC.